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Autor de estudo da rede escolar queixa-se de ter sido “linchado” pelo lóbi dos colégios

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ANTÓNIO ROCHETTE. Professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, foi convidado pelo Ministério da Educação de Isabel Alçada, em 2011, para fazer o estudo “Reorganização da rede do ensino particular e cooperativo com contrato de associação”

DAVID CLIFFORD

Em 2011, a então ministra da Educação, Isabel Alçada, pediu um estudo à Universidade de Coimbra para saber se havia turmas no privado que estavam a ser financiadas pelo Estado apesar de haver oferta disponível em escolas públicas próximas. António Rochette foi o autor do estudo que concluiu que era possível cortar esses contratos de associação em 80% dos colégios. Cinco anos depois recorda ao Expresso Diário as pressões que sentiu. “Fui linchado, fui enxovalhado nas redes sociais, nos jornais. Até mata-frades me chamaram”

Como autor do único estudo sobre reorganização da rede escolar e colégios com contrato de associação, o que mais o impressionou na altura?
Aquilo que neste momento voltou a aparecer. Ou seja, há um desfasamento relativamente àquilo para que foram criados os contratos de associação e que era ultrapassar as debilidades que a rede escolar tinha em 1980. Já em 2011 não fazia sentido (a sua manutenção) porque já existia grande sobreposição. O documento teve duas versões, uma mais expansiva no corte que era proposto e outra que abrangia menos turmas porque estávamos num período político muito conturbado e o Governo da altura achou que os números que eu inicialmente apresentava eram muito significativos e iriam criar ainda mais problemas do que os que criou.

E a situação mudou de então para cá?
Agravou-se porque a quebra demográfica se acentuou. Perdemos dezenas de milhares de alunos nos últimos anos e prevê-se mais uma diminuição significativa nos próximos cinco anos, na ordem dos 80 mil alunos. Se não há alunos e existe escola pública em praticamente todo o lado é evidente que não há necessidade (de colégios com contrato de associação). O esforço que foi feito nos anos 1970/1980 para a democratização do ensino leva agora a que haja este problema. E o que acontece é que os colégios com contrato de associação que na altura foram contratualizados estavam na periferia ou seja em zonas onde não haveria grandes hipóteses de resolver o problema através da escola pública. Mas a partir de um certo momento fizeram-se contratos em zonas urbanas...

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