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O assunto mais aborrecido com que todos deviam estar preocupados

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reuters

O acordo de comércio que está a ser negociado pelos EUA e pela UE desde 2013 ganhou destaque esta semana quando a Greenpeace divulgou documentos confidenciais que demonstram as pressões exercidas sobre a Comissão Europeia para baixar as regulações europeias de comércio e investimento. Este é provavelmente o tema mais denso alguma vez debatido dentro da UE. E isto é aborrecido? Talvez. Mas é incrivelmente importante que saiba o que está a acontecer

Pense nas coisas mais aborrecidas com as quais já teve de lidar na sua vida. Some-as todas, multiplique o resultado pelo coeficiente internacional de tédio e terá uma pequena noção do quão aborrecida é a parceria transatlântica conhecida por TTIP. A sugestão não é nossa, foi feita pelo “The Guardian” em agosto de 2015, quando apenas um punhado simbólico de associações e cidadãos já erguiam os punhos contra o acordo de comércio livre que está a ser negociado desde julho de 2013 entre os Estados Unidos e a União Europeia.

O TTIP, referia o jornal britânico há nove meses, é a coisa mais aborrecida com a qual devíamos estar todos preocupados. França já está e esta semana deixou claro que não irá ratificar o acordo na sua presente forma. A ameaça surgiu horas depois de a Greenpeace Holanda ter divulgado documentos confidenciais em que são reveladas as pressões sobre a Comissão Europeia para que anule ou minimize regulações comunitárias relacionadas com comércio e investimento.

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  • Apesar de ser importante não embarcar em discursos ingénuos sobre a globalização, que aceitam o desemprego de mais um milhão de europeus em troca de um aumento marginal do PIB, o problema do TTIP não é abrir mais as fronteiras comerciais entre a Europa e os EUA. A barreira relevante ao comércio transatlântico não são as taxas alfandegárias. São as diferentes legislações em matérias como o papel do Estado nos serviços públicos, a segurança ambiental e alimentar, a regulação financeira, a defesa da privacidade dos cidadãos ou os direitos laborais. Este acordo implica uma harmonização de realidades tão distantes que só se fará com uma regulação por baixo, destruindo décadas de conquistas sociais e de cidadania, de garantias para o consumidor e de defesa do ambiente. Dando, depois disto, um poder desmesurado a qualquer investidor se sinta prejudicado por qualquer novo avanço nestas áreas. E tudo isto, que abala os alicerces da Europa que conhecemos, está a ser feito sem qualquer cautela democrática ou garantia de transparência. Será mais uma forma de conseguir pelas traseiras de negociações opacas aquilo que não se conquistou no voto. Será mais uma machadada na democracia e no modelo social europeu

  • França ameaça chumbar TTIP

    Presidente François Hollande promete rejeitar o pacto comercial com os Estados Unidos na sua presente forma. Ministro francês responsável pelas negociações atribui impasse a Washington, um dia depois de a Greenpeace ter revelado documentos confidenciais que comprovam diferenças “irreconciliáveis” entre a UE e os EUA

  • TTIP. Documento secreto vai ditar colapso do controverso acordo?

    É o que ativistas contra o tratado defendem. Dossier confidencial a que o “El País” teve acesso, e cujo conteúdo foi divulgado na segunda-feira pela Greenpeace Holanda, mostra pressões exercidas pelos EUA sobre autoridades da União Europeia para alterar regulações comunitárias