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Declaração de amor à Língua Portuguesa

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ilustração Tiago Pereira Santos

Celebrou-se esta quinta-feira o dia da Língua Portuguesa. Fazemos-lhe uma declaração de amor nesta edição: proclamamos as virtudes e os defeitos dela, anunciamos os encantos e as complicações dela. Porque estamos apaixonados por ti, Língua Portuguesa. E não temos vergonha de escrever sobre isso

Esqueçamos desde já o zus, que o próprio dicionário parece desdenhar ao dizer que é de origem onomatopeica, e a última palavra da última página é zurzir: açoitar, vergastar, espancar, castigar, repreender com severidade, criticar asperamente. Tudo o que não dá jeito absolutamente nenhum para começar um texto que se quer de exaltação das virtudes da Língua Portuguesa. Uma declaração de amor, pedia-se.

Como se qualquer declaração, por mais apaixonada que fosse, pudesse conter em si tudo o que é amar. Se contivesse, provavelmente não precisaríamos da palavra amar – cujos vizinhos do lado são amarácino (o unguento de amáraco ou manjerona) e amaquiar-se (arranjar boa maquia, enriquecer). O amor, como o medo ou o simples ato de dormir não se ordena, não há maquia que o consiga. De nada vale mandar alguém amar algo ou alguém, como é inútil dizer que não vale a pena ter medo. São coisas que sentem, que nos mantêm acordados. E o sono, esse, chega quando chega, não quando queremos ou quando nos mandam dormir. “Dorme ou levas uma zurzidela.” Pois, está bem.

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