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Ter ou não ter (só um)

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DECLÍNIO. Em 2014, Portugal atingiu o mais baixo nível de fecundidade da Europa

RUI OCHOA

Que retrato da sociedade portuguesa resulta do modo como se comporta face à fecundidade? O retrato de uma “sociedade desconfortável”. Assim o conclui o relatório “Determinantes da Fecundidade em Portugal”, divulgado esta segunda-feira

Se ter ou não ter fosse a grande questão, justificar o declínio da fecundidade em Portugal seria relativamente fácil. Esgotar-se-ia na constatação de que há mais pessoas no país a não quererem ter filhos do que no passado. Como noutros países europeus - como Espanha, aqui ao lado -, as razões seriam inscritas nessa dicotomia de extremos: há os que querem e os que não. Porém, em Portugal, ter ou não ter assume outras e surpreendentes feições. E a questão, a grande questão, é que 95% dos portugueses querem ter filhos.

E têm só um, querendo ter pelo menos dois. Este desencontro entre vontade e concretização é o que explica que, em 2014, tenham nascido menos de metade das crianças que na década de 1960 e que o país tenha atingido o mais baixo nível de fecundidade da Europa — e um dos mais baixos do mundo: 1,23 filhos por mulher. E é também a marca do que hoje pode ser considerado uma especificidade portuguesa: o facto de sermos cada vez mais uma sociedade de filhos únicos que, todavia, não o quer ser.

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