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A minha identificação? Sou uma mulher síria (um depoimento incrível)

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Soubemos deste texto inédito através de outro jornalista sírio, que trabalha no jornal online “Syrian Reporter”. Perguntámos a Hanady Alkhatib se autorizava que publicássemos o documento, traduzindo do inglês para o português, e ela respondeu que sim, que autorizava, e que era “muito importante” para ela saber que a sua história ia ser contada noutra língua e a outras pessoas. Confuso? Passe ao parágrafo seguinte

Depoimento Hanady Alkhatib, Anotações Helena Bento

d.r.

Hanady Alkhatib, jornalista síria que foi obrigada a abandonar a Síria por temer represálias do regime de Assad, vivendo atualmente no Dubai, escreveu um texto em abril do ano passado em que fala sobre a dor de perder tudo - de perder o filho, o marido, o pai, a mãe. Sobre a dor de ter de identificar os restos mortais dos homens da sua família, assassinados por terroristas ou pelo regime, não menos terrorista do que os terroristas. Sobre a dor de viver em permanente estado de culpa, sentindo-se permanentemente culpada por estar viva. Sobre a dor de viver enquanto muitos estão a morrer. Sobre a dor, crónica, de ser síria nos dias que correm. O Expresso descobriu há pouco este depoimento. E publica-o na íntegra, com o consentimento da autora - que quer que o mundo saiba.

O mundo vira-me as costas pela enésima vez. Sou a mulher síria que teve de identificar o seu irmão através de uma série de fotografias tiradas à socapa do matadouro de Assad. Entrei em contacto muitas vezes com a Rede Síria para os Direitos Humanos [SNHR na sigla em inglês] para saber se tinham informações sobre o meu irmão, mas a resposta que me davam era sempre a mesma. “Não temos novidades”. O meu coração parecia sufocar de cada vez que ligava para lá. Ontem, enviei-lhes uma fotografia pelo telemóvel daquilo que em tempos fora um ser humano. “Este é o meu irmão”, escrevi.

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