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“Parece que virei mesmo a morrer de uma doença burguesa”: perdemos Imre Kertész

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Imre Kertész morreu aos 86 anos da “doença burguesa” que o consumia há duas décadas - Parkinson. O que não deixa de ser irónico, sendo ele um sobrevivente de Auschwitz. Essa condição tornou-o escritor: a necessidade de compreender o horror. Único Nobel da Literatura da história da Hungria, a relação com o seu país não foi um mar de rosas. Emigrou para a Alemanha e chegou a afirmar a sua “pertença” àquele país. Porém, nos últimos dias, optou por regressar a casa

CRÍTICO. Por não se sentir confortável no seu país, Kertész escolheu Berlim para viver

CRÍTICO. Por não se sentir confortável no seu país, Kertész escolheu Berlim para viver

Pascal Le Segretain/Getty Images

A sua foi obra de um tema só: a sobrevivência. Mas não uma sobrevivência qualquer. Imre Kertész esteve em Auschwitz, para onde os judeus húngaros foram arrastados em 1944, nos estertores da II Guerra Mundial, e a seguir em Buchenwald, numa das últimas deportações de um conflito moribundo. Tinha na altura 14 anos. Se viveu para o contar, passou a vida a fazê-lo. Em 2002 tal entrega valeu-lhe o Prémio Nobel, o primeiro da história atribuído a um húngaro.

“Quando penso num novo romance, penso sempre em Auschwitz”, diria. “Sem Destino" (1975) e “A Recusa” (1988) provam-no, como o prova o livro que completa esta trilogia e que é também uma perspetiva do horror: “Kaddish para uma Criança que Não Vai Nascer” (1990). Em “Um Outro — Crónica de uma Metamorfose” (como os anteriores, editado em Portugal pela Presença), o autor analisa os regimes totalitários. E constrói um estilo de romance baseado na procura exaustiva das razões por que escrever. “Só posso agir com a minha escrita”, disse uma vez.

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