Siga-nos

Perfil

Expresso

Diário

A mais espetacular ação de sabotagem dos tempos da ditadura

  • 333

UM TIRO NA ASA DA DITADURA. A destruição provocada pelas explosões no principal hangar da Base Aérea de Tancos

FOTO FORÇA AÉREA PORTUGUESA

Quatro homens, um volkswagen “carocha” e uma chave copiada com recurso a uma barra de sabão. Os explosivos iam escondidos por baixo de caixas de frutas. As fardas militares que serviam de disfarce tinham sido ajustadas ao corpo pelas mulheres horas antes, numa casa alugada só para preparar a operação. Nome de código: “Águia Real”. Passavam vinte minutos das três da manhã quando tudo foi pelos ares. Foi a mais espetacular ação de sabotagem dos tempos da ditadura, fez este mês 45 anos

António Pedro Ferreira

António Pedro Ferreira

Fotos

Fotojornalista

Às primeiras horas do dia 8 de Março de 1971, uma sequência de mais de 20 explosões destruiu o principal hangar da Base Aérea n.º 3, em Tancos, no coração do maior polígono militar do país. No interior estavam 28 aviões e helicópteros da Força Aérea, que ficaram praticamente destruídos. A espetacular sabotagem – a maior perpetrada em território nacional contra as guerras coloniais em Angola, Moçambique e Guiné – foi conduzida por um comando clandestino da ARA, a Acção Revolucionária Armada, o braço guerrilheiro do PCP.

O audacioso comando da ARA é constituído por quatro elementos. A coordenação pertence a Raimundo Narciso, que usa normalmente o pseudónimo “Luís”, o único que está na clandestinidade. Os dois bombistas –que penetram no hangar, instalam as cargas explosivas e fazem deflagrar o sistema – são Carlos Coutinho e Ângelo de Sousa. Com os pseudónimo “Tavares” ou “Miguel”, Ângelo trabalha na própria base aérea, onde cumpre o serviço militar obrigatório. Natural de Espinho, ex- empregado bancário, 23 anos, é cabo miliciano e está a completar um curso de piloto de helicópteros ministrado por instrutores franceses.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI

  • Quando a PIDE foi apanhada

    Fez esta semana 70 anos - mais precisamente quinta-feira - que foi criada a Polícia Internacional de Defesa do Estado (PIDE), a polícia política do regime deposto no 25 de Abril. Apanhada de surpresa pelo “golpe dos capitães”, foi a última instituição da ditadura a sucumbir, como relembramos neste trabalho, publicado originalmente na Revista do Expresso de 25 de abril de 2014

  • No rasto das últimas bandeiras do Império

    Uma a uma, as bandeiras foram abandonando os territórios outrora colonizados por Portugal e cada uma trouxe consigo uma história para contar. A sua descida significou o fim de um império de cinco séculos. O Expresso foi à procura destas bandeiras, as últimas a serem arriadas nas seis ex-colónias, no ano em que os novas nações celebram 40 anos de independência  

  • "Como matámos Humberto Delgado"

    Rosa Casaco, o chefe da brigada da PIDE que, faz agora 50 anos, assassinou Humberto Delgado, que em 1958 tinha desafiado o regime ao candidatar-se à eleição presidencial, contou ao Expresso a sua versão da morte do "general sem medo". Republicamos agora, editado, o respetivo artigo, que foi publicado originalmente na Revista de 14 de fevereiro de 1998.