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O olhar está vazio. Ela está em pé, imóvel. Como Bruxelas

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HOMENAGEM. Habitantes de Bruxelas concentraram-se na Praça da Bolsa para homenagear vítimas dos ataques terroristas

JOÃO SANTOS DUARTE

O olhar está vazio. Ela está em pé, imóvel. Por trás há um homem no chão que acende uma vela. E depois mais outra, até compor um grande círculo de velas que ilumina aquele início de rua. A noite está fria. Ela traz um casaco bege e um gorro branco, como provavelmente faz em tantas outras noites frias na cidade. Mas aquela não é uma noite qualquer. Ela está ali, e não está, ao mesmo tempo. As mãos estão dentro dos bolsos, os olhos fitados longamente no chão. O pensamento está noutro lado. Provavelmente nos acontecimentos daquela manhã, ou então ela não estaria ali, não teria saído de casa propositadamente, àquelas horas, para querer estar ali, naquela rua que dá acesso àquela praça onde agora tantos outros recordam com dor os que morreram horas antes. Passaram apenas quinze horas, mas para o caso é indiferente. Podiam ter sido três, ou cinco ou oito. O tempo parece ter ficado parado desde então. A vida está em suspenso. Esta é uma cidade em choque.

No que pensaria ela? Talvez pensasse naquela altura, como tantos outros milhares terão pensado, “poderia ter sido eu”. “Quantas vezes não estive naquele aeroporto? Quantas vezes não andei naquele metro?”. Mas isso é sempre o mais fácil de imaginar. Milhões de pensamentos diferentes ter-lhe-ão certamente passado pela cabeça, como a todos os outros que fazem as suas vidas na cidade. O pesadelo tinha começado bem cedo naquela manhã. Pouco depois das 8h, Bruxelas acorda para a notícia de que algo de muito grave se passara no aeroporto. Primeiro uma explosão, momentos depois outra. Não demoraria muito a confirmar que se tratava mesmo daquilo que muitos já temiam há meses que pudesse vir a acontecer. Estava em curso um atentado terrorista.

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