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Liberdade enjaulada

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Mário Henriques

Domingos da Cruz Maninho, oito anos e seis meses de prisão efetiva. Luaty Beirão, cinco anos e seis meses de prisão efetiva. Nuno Alvaro Dala, Sedrick de Carvalho, Manuel Chivonde Nito Alves, Inocêncio de Brito, Laurinda Manuel Gouveia, Fernando António Tomás “Nicola”, Mbanza Hamza, Osvaldo Sérgio Correia Caholo, Arante Kivuvu, Albano Evaristo Bingo, Nelson Dibango Santos, Itler Samassuku e José Gomes Hata, quatro anos e seis meses de prisão efetiva. Rosa Conde e Dito Dalí (Benedito Jeremias), dois anos e três meses de prisão efetiva. Angola condenou 17 ativistas. Pedro Santos Guerreiro analisa livremente

Não usavam armas, nem tinham milícia, não houve violência, não conspiraram com grandes potências, não roubaram nem roubariam, não mataram nem matariam, não eram terroristas nem bombistas nem letais anarquistas nem raptores nem corruptores nem violadores. Eram ativistas. Eram idealistas. Contra o regime angolano, contra a pobreza dominante entre uma riqueza chocante, contra a voz não ter vez, contra não haver contra. Eram a chispa. Eram. Agora são condenados. Prisão. São 17, culpados por um tribunal por coautoria de atos preparatórios para uma rebelião e atentado contra o Presidente da República, por falsificação de documentos e associação criminosa. Sim, é verdade, é um atentado. À liberdade. Só um regime covarde assim enjaula.

O mais conhecido é Luaty Beirão, ele próprio luso-angolano, o que só por si justificaria não apenas opinião mas ação em Portugal sobre o que se passa em Luanda. Horas depois da sentença, o governo de António Costa e o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa ainda nada haviam dito. Nem, provavelmente, feito. Se assim for, isso também será covardia. Não se troca direitos humanos por negócio. Não se confina direitos humanos a uma fronteira. E é por isso que este julgamento não nos importa apenas por causa de Luaty, o homem bandeira, importa pelos 17, importa por aquilo em que acreditamos e aquilo que defendemos. Defendemos? Defendemo-los?

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