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Big Brother Molenbeek. “Aqui nos tiram a vida sem nos matar”

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As mulheres dizem-se com medo de andar na rua. Os homens queixam-se de que as notícias os estão a confundir a todos com terroristas. Quatro meses depois dos atentados de Paris, o bairro volta a estar no centro das atenções do mundo com os acontecimentos em Bruxelas esta semana. Há câmaras e microfones por todos os lados. E uma sensação de vida em suspenso.“Estão a massacrar-nos”, dizem os habitantes de Molenbeek. “E se fosse a vossa vida?”

João Santos Duarte

João Santos Duarte

enviado a Bruxelas

Jornalista

Hugo Franco

Hugo Franco

enviado a Bruxelas

Jornalista

As duas mulheres aproximam-se num ritmo apressado. Vêm vestidas de branco, com lenços que lhes cobrem a cabeça e o rosto. Quando chegam à porta, também ela branca, dois homens com câmaras na mão saltam não se sabe bem vindos de onde e começam a correr. As mulheres ainda olham de relance antes de se lançarem para o interior, fechando a porta com toda a pressa. As perguntas ficam a meio. As câmaras pouco mais apanham do que dois vultos que desaparecem no escuro por detrás de uma frecha. O número é o 79. Aquela insuspeita porta branca esteve na origem de um conjunto de acontecimentos em cascata que, em poucos dias, redundaram nos atentados de Bruxelas.

O dono da padaria Alwijdane, que fica mesmo em frente, olha para toda esta cena através da vitrina da montra com um ar de reprovação. “Todos os dias tenho perdido clientes à custa disto”, confessa. “Principalmente mulheres. Começam a ficar com medo de vir a esta rua”. Na memória de todos ainda está bem fresco o cenário de guerra que se viveu ali mesmo à porta na passada sexta-feira. Os tiros, os cães, o homem atingido na perna que foi levado num carro preto da polícia. E que, viria a saber-se, era nada mais nada menos do que Salah Abdeslan, considerado um dos mentores dos atentados de Paris a 13 de Novembro.

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