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Ter Lula no Governo é uma questão de sobrevivência para Dilma

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BRASIL PARTIDO. Contestação nas ruas prossegue, indefinição política também

ADRIANO MACHADO / REUTERS

Dilma insiste na aposta de Lula como ministro como tentativa de conter impeachment. Se perder apoio do PMDB, chances de sair do cargo aumentam

Plínio Fraga (texto), no Brasil; Reuters e Epa (fotos)

Acuada com o início do processo de abertura de impeachment na Câmara dos Deputados, a presidente Dilma Rousseff acertou com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que a prioridade do governo será tentar fazer com que ele tome posse como ministro-chefe da Casa Civil. Durante quatro horas de reunião nesta segunda à noite, Dilma e Lula, do Partido dos Trabalhadores (PT), discutiram estratégias políticas para amainar a crise na aliança governista. A avaliação do governo é que quanto mais demorar a posse de Lula como ministro maior será a dificuldade para tentar barrar o processo de impeachment.

Lula chegou a discutir a possibilidade de desistir de assumir o cargo de ministro, em razão das contestações judiciais que enfrenta. Suspensa por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), a posse de Lula envolve 21 ações na corte brasileira. Na conversa privada no Palácio da Alvorada, residência oficial da presidência, Dilma e Lula decidiram insistir na nomeação do ex-presidente, recorrendo de todas as formas possíveis da decisão de 18 de março do ministro Gilmar Mendes, que suspendeu a nomeação.

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  • Os brasileiros voltam-se para os magistrados, e em particular para aqueles com um perfil mais justiceiro, porque não encontram no sistema partidário nada de melhor do que o PT. Na realidade, foi essa a razão que os levou, depois das enormes manifestações de 2013, a reeleger Dilma Rousseff. A operação “mãos limpas” parece ser o modelo do juiz Sérgio Moro. O seu resultado em Itália: o sistema político foi dizimado, os partidos tradicionais foram substituídos por fenómenos populistas e a corrupção não só se manteve como até encontrou formas mais sofisticadas e diretas de intervir na política. Em vez de Bettino Craxi, Silvio Berlusconi. Com uma diferença: a democracia italiana era muito mais sólida nos anos 90 do que a democracia brasileira é hoje. Não vale a pena procurar nos tribunais o que só a política pode oferecer. Juízes julgam casos concretos com instrumentos muito precisos e limites muito rigorosos. Porque não dependem do voto, não podem fazer política. A regeneração dos regimes depende da construção de alternativas políticas ao poder que existe. Procurar a saída para crises políticas, económicas e sociais em salas de tribunais é preparar um país para uma catástrofe

  • Uma força de 380 polícias faz rusgas em oito Estados para investigar esquema e contabilidade paralela de subornos da Odebrecht. E há mais indícios que confirmam que o presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, sabia da situação