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O medo é uma ideia sangrenta

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Alex Gozblau

O horror voltou a mexer com o modo de vida de quem acredita na liberdade. Perderam-se pelo menos 30 vidas, mais de 200 pessoas ficaram feridas, todos nós fomos atacados

“O futuro é uma ideia sangrenta.” A frase de René Magritte está à entrada do “seu” museu na Place Royale, que está no coração de Bruxelas, que está no coração da Bélgica, que está no coração da Europa, que não é o único coração do mundo, embora pareça comportar-se como tal. O surrealismo, muitas vezes desentendido como irrealismo onírico, foi originalmente proclamado como “sur-réaliste”, o que ultrapassa o realismo. Não a realidade. Da realidade: esta manhã, três bombas rebentaram em Bruxelas, matando mais de três dezenas de pessoas e ferindo acima de 180, num atentado reivindicado pelo Daesh. Do realismo: a Europa vive no medo. É esse o objetivo dos terroristas. Os terroristas são assassinos. Assassinam os que passam, os inocentes, os civis, os circunstantes, são eles as vítimas destas bombas, em nome de uma ideia que se argumenta como um ideal.

Os ideais são fins que nunca se justificam pelo meio de mortes.

Entre os ataques de Paris, na fatídica sexta-feira 13 de novembro, e os rebentamentos de Bruxelas, neste 22 de março, houve dezenas de ataques terroristas mortíferos atribuídos ao Daesh, ao Boko Haram ou aos talibãs. O noticiário dessa rotina não toca os europeus da mesma forma, o que até é compreensível, pela distância, mas revela que o que nos parece um modus operandi é quase um modus vivendi. Desta vez, em Bruxelas, a possível relação entre as bombas e a detenção de Salah Abdeslam é tida como provável correlação. Ele terá sido o cérebro dos atentados de Paris. Bruxelas foi o coito onde esteve escondido quatro meses. Bruxelas é a cidade europeia com células mais importantes do Daesh e a Bélgica o país europeu que, proporcionalmente, mais jiadistas tem no autodenominado Estado Islâmico. O ataque aconteceu num dos sítios mais vigiados da Europa. Não será por acaso. Porque não será só vingança, mas demonstração de força e sementeira de medo, a principal arma dos terroristas. Daí a importância do local dos ataques, na Bruxelas onde a Comissão Europeia tem quartel. Um quartel indefeso.

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