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“Os poetas arrogam-se o direito de recomeçar o mundo”

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MESTRE. “Com a licença de todos, o criador aqui sou eu”

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Poeta maior da língua portuguesa deixou-nos como legado a capacidade de “destruir os textos” enquanto nos carregou o ser do mundo poético que foi a sua vida. Herberto Helder, morreu a 23 de março de 2015 e, hoje, Dia Mundial da Poesia, começamos a recordá-lo

Amam-me, multiplicam-me. / Só assim eu sou eterno”, escrevia Herberto Helder em 1961 no seu “Poemacto”. O poeta sabia desde sempre que enquanto criador não teria data de morte. Que o seu “poder profundo e obscuro” sobreviveria à comezinha vidinha que rejeitou e enjeitou. Dedicado a uma obra maior, Herberto Helder foi um recluso da poesia. A sua era a do medo daquele seu ser fragmentado, ser de dor e esplendor ao mesmo tempo. Dilacerado. Vergado. Elevado. Imponente. Monstro de uma voz louca capaz de trocar palavras, mudar verbos, autonomizar a língua, magoar a sintaxe e tudo o que fosse preciso para deitar cá para fora o fel da vida, o amargo da boca, a existência humana e a grandeza da criação.

Herberto Helder não fazia cedências, não acariciava o verbo, não prestava vassalagens. Foi assim durante seis décadas de escrita, uma trintena de livros lançados a conta-gotas e contados a exemplares, depois de reescritos três, quatro vezes, naquele seu método torturante de emendar e cortar, cortar e emendar.

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  • Inéditos de Herberto Hélder lançados no Dia da Poesia

    “Letra aberta”, livro composto por inéditos recolhidos dos cadernos do autor, é publicado esta quarta-feira, dia 23. A edição será, de acordo com o que sempre foi a vontade de Herberto, de tiragem única. Feliz Dia Mundial da Poesia