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O povo que conquistou a fé ao mar

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Célia Lamarão

No início era apenas água. Depois chegaram os primeiros homens e mulheres e espetaram estacas de madeira que foram conquistando terreno ao mar. Dos poucos se fizeram muitos e com o passar dos anos a comunidade foi ganhando dimensão e um nome natural: Maré. Hoje é um dos maiores complexos de favelas do Rio de Janeiro, a norte da cidade e junto à baía de Guanabara, e uma das zonas que o governo procura a todo o custo pacificar antes dos Jogos Olímpicos, que vão decorrer em agosto. O Expresso entrou na Maré e faz um retrato de uma comunidade marcada pela pobreza e desigualdade de oportunidades, pelo tráfico de droga e troca de tiros, mas onde também há pequenas bailarinas e jovens que sonham com um futuro. Um futuro que só tem um caminho: perseguir resistindo. É arte de viver da fé, que há décadas foi conquistada às águas

Angélica Prieto (texto), Célia Lamarão (fotos), João Santos Duarte (edição multimédia) e João Roberto (grafismo)

Foi a 28 de setembro de 1934. O dia em que Cionilia nasceu. Data que durante treze anos não pôde comemorar. A vida de menina começou na “roça”, no Espírito Santo, Estado vizinho do Rio de Janeiro.

Cionilia fez-se mulher com pouca idade. Aos oito anos, foi levada pelo tio para uma fazenda, em Campos, no norte do Rio, depois de perder a mãe. O tio abandonou-a ao seu próprio destino e ela depressa deixou de ser criança para ser “escrava”. “A infância chamava-se trabalho”, recorda, com clareza, nos atuais 81 anos.

“Via as crianças passando com aquelas bolsinhas para ir para a escola. Ficava ansiosa e imaginava: ‘Meu Deus, quando é a minha vez'.

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