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Passos: “Estou preparado para voltar a ser primeiro-ministro”

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SÃO BENTO. Passos foi chefe do Governo entre 2011 e 2015. Agora, recandidato ao PSD, diz que quer voltar ao Palácio

ALBERTO FRIAS

No dia em lança a sua recandidatura à liderança do PSD, Passos Coelho reafirma que “sempre” foi social-democrata até “nas medidas de austeridade que o Governo adotou”. Passos não quer forçar a queda do Executivo das esquerdas – eles que governem -, mas está pronto para o que for necessário

Bernardo Ferrão

Bernardo Ferrão

Subdiretor da SIC

Nas vésperas de arrancar para a estrada para mais uma campanha interna (sem adversário), e no dia em que vai explicar ao país e ao partido porque se recandidata, Passos Coelho quer desfazer a ideia de que é “o político dos resgates”. Mas não deixa de reconhecer que a imagem do primeiro-ministro da austeridade – “não me escondi” quando foi preciso anunciar medidas duras ao país – pode ser um ativo e não tem de ser combatida. “Tivemos de fazer o que tinha de ser feito”, explica, invocando o interesse nacional.

Num encontro informal com jornalistas – duas horas e meia de conversa - na sede do PSD, o líder social-democrata aproveitou para responder aos que insistentemente lhe têm pedido que se reinvente. Ao Expresso disse há dias “não tenho de me reinventar”, e agora volta a ser perentório: “não introduzo mudanças artificiais ao sabor do vento”. Além da mensagem de “coerência” que quer passar, a conversa segue numa linha clara: os riscos estão no Governo de António Costa e nas suas políticas; ele, Passos Coelho, continuará a apresentar-se como um referencial de estabilidade. E até mantém várias bandeiras com que se apresentou ao país em 2011.

É com esse fato que parte para uma campanha que não será apenas para falar para o partido, será também para o país ouvir. Com a discussão do OE a escaldar, o PSD não quer aparecer como o partido que contribuiu para a crise política. Passos deixa entender que só deve haver eleições no fim da legislatura e que o princípio da estabilidade é um bom princípio.

Mas é óbvio que na São Caetano já se fazem todas as contas. O líder, que recusa a ideia de uma campanha a pensar em eleições a breve prazo, sabe que é preciso estar pronto a todo o momento para o que for necessário. Com a aprovação do OE garantida pelas esquerdas, os cálculos são para o médio prazo, mas “sem ansiedade de ir para eleições”. Passos está confiante: “Estou preparado para voltar a ser primeiro-ministro. Um candidato ao PSD é sempre um candidato a primeiro-ministro”. Quando? Ninguém sabe.

Um PSD “construtivo”

A poucas horas do veredicto de Bruxelas sobre o OE, Passos Coelho recusa recuperar o fantasma de novo resgate. Não vê necessidade de o país “voltar a passar pelo mesmo”. Apesar de se afastar radicalmente da estratégia da “geringonça”, a ideia é deixá-los governar. O PSD não fará oposição de “bota-abaixo”, garante. O caminho será feito de forma “construtiva” mas preocupada com a situação que se desenha no país e na frente externa. A Europa serve-lhe para pôr nas entrelinhas os “radicalismos” do Governo de Costa e das esquerdas: “Se a estratégia populista e radical que se está a instalar em alguns países europeus for bem-sucedida, Portugal será dos primeiros a ser prejudicado”. Nos discursos que fará pelo país durante a campanha interna, Passos não deixará de bater nesta tecla - os riscos que estão a surgir nos vários Estados-membros.

Para a estrada leva o slogan “social-democracia sempre”. Explica que o escolheu porque sempre foi um social-democrata, e para “afastar um não assunto”: a discussão sobre se o “seu” PSD mais liberal apagou a social-democracia. Para compor a sua defesa garante que “mesmo nas medidas de austeridade que adotámos fomos sempre sociais-democratas”.

O PSD tem congresso marcado para 1, 2 e 3 de abril. Será por essa altura que se ficarão a conhecer os “ajustamentos na equipa” dirigente, que “são naturais”. Entretanto, Passos avisa: “o PSD não irá cristalizar-se”.