Siga-nos

Perfil

Expresso

Diário

Boulez morreu (como ele próprio diria)

  • 333

SEM BATUTA. Pierre Boulez dirigindo a orquestra do Festival de Lucerna, em 2006

O radical da música de vanguarda que se tornou um dos maiores maestros do mundo, sem nunca perder a coerência artística, tinha 90 anos

Luís M. Faria

Jornalista

Em 1944, o grande compositor francês Olivier Messiaen recebeu a visita de um jovem estudante de 19 anos. O seu diário registou a visita, notando concisamente: “Gosta de música moderna.” Seria um dos eufemismos do século, ao nível do veredicto que alguém em Hollywood teria emitido sobre Fred Astaire após a sua primeira audição: não sabe representar, dança um pouco. No caso de Boulez, estava em causa alguém que se tornaria possivelmente a maior figura da música erudita na segunda metade do século XX.

Como compositor, polemista e maestro, e ainda criador ou impulsionador de algumas organizações musicais de topo - incluindo o IRCAM, um instituto de música contemporânea situado em frente ao Centro Pompidou em Paris, e o Ensemble InterContemporain, grupo que dirigiu a partir de 1976 - Boulez é um nome incontornável. Em março do ano passado, quando cumpriu 90 anos, o mundo musical fez-lhe várias homenagens. Agora acaba de falecer em Baden-Baden, onde vivia há décadas na companhia de uma pessoa a quem descrevia como o seu valet, e que o acompanhou até ao fim.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI