Siga-nos

Perfil

Expresso

Diário

O “Mein Kampf”, bíblia do mal nazi, volta a ser publicado na Alemanha

  • 333

FOTO GETTY IMAGES

A nova edição, preparada por uma equipa de historiadores, sai no momento em que expiram os direitos de autor da obra

Luís M. Faria

Jornalista

O III Reich não se distinguiu pelo seu amor aos livros, a avaliar pela quantidade deles que mandou queimar. Depredação terrível, mas nada original em termos históricos. Entre os precedentes célebres, terá havido o do califa que mandou destruir a Biblioteca de Alexandria por acreditar que só existia um livro indispensável, o Alcorão. Todos os outros eram maus porque ou o repetiam e nesse caso eram inúteis, ou o contradiziam e eram blasfemos. O regime hitleriano não chegou a tal ponto (afinal, a Alemanha era um país culto, com alguns dos maiores cientistas e pensadores do mundo, mesmo após a exclusão dos judeus), mas também ele achava que havia um livro supremo. Era o único de leitura indispensável a todos os partidários fiéis do regime, que aí encontrariam ao mesmo tempo uma explicação de história do seu país, uma exposição da ideologia que o podia salvar, e a narrativa de vida do potencial salvador. Esse livro intitulava-se "Mein Kampf".

"Mein Kampf", em português "A Minha Luta", foi escrito em circunstâncias particulares. Em novembro de 1923, o antigo cabo Adolf Hitler, condecorado por valentia na I Guerra Mundial, liderou um golpe de Estado em Munique. O partido nacional-socialista, de que se tornara chefe, não aceitava a República democrática instaurada após a derrota na guerra e a abdicação do imperador Guilherme. As indemnizações que os vencedores obrigaram o país a pagar tinham gerado um caos económico e social que grupos extremistas de cores opostas aproveitavam. Os nazis culpavam da situação uma variedade de "traidores", incluindo os judeus e os democratas. O objetivo do putsch de Munique era tomar o governo da Baviera e depois - imitando o que Benito Mussolini fizera um ano antes, com a sua famosa marcha sobre Roma à cabeça dos fascistas - seguir para Berlim e assumir o poder na Alemanha inteira.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI