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Afinal, quem fez o melhor contrato?

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FOTO ANTÓNIO COTRIM/LUSA

O leilão pelos direitos televisivos dos três grandes chegou ao fim esta terça-feira por um valor global de 1372,5 milhões de euros. Na guerra dos negócios milionários, o Sporting é quem mais irá receber (515 milhões de euros até 2030), mas é também quem vende mais conteúdos e ativos

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Dezembro de 2015 acaba de entrar na história do futebol nacional como o mês que revolucionou o mercado dos contratos televisivos dos três grandes em Portugal. Quando a NOS se antecipou à MEO e assinou firme com o Benfica um acordo de 400 milhões de euros por 10 anos, maior habilidade e poder negocial do que a de Luís Filipe Vieira parecia impossível. O contrato dos encarnados passa pelo entrada nos cofres da Luz de 40 milhões de euros por época, 25 milhões pelos 17 jogos em casa, mais 15 milhões pelo exclusivo dos conteúdos do canal Benfica TV na operadora NOS.

Há três dias, três semanas depois do acordo de sonho dos benfiquistas, Pinto da Costa anunciou um contrato recorde. Por mais 57 milhões do que o rival da Luz, o FC Porto assinou um acordo com a PT/MEO muito semelhante ao dos encarnados, vendendo entre 2018 e 2028 os jogos no Dragão, além de alienar os direitos de transmissão do Porto Canal, estes por 12 anos e não por uma década como no caso do Benfica.

A única diferença significativa é que o pacote portista inclui ainda o patrocínio principal das camisolas da equipa de Julen Lopetegui, sem patrocinador desde o início da época. Como o valor pago pela Fly Emirates pelas camisolas das águias não foi comunicado à CMVM e ninguém na SAD do Benfica se descose sobre estas minudências, é precipitado garantir quem é o campeão do campeonato dos direitos de TV.

A complicar as contas, o FC Porto alienou ainda o direito de exploração comercial de espaços publicitários no Estádio do Dragão pelo período de 10 anos, a começar em 2018. O comunicado enviado à CMVM não esclarece, contudo, se é ou não em sistema de exclusividade e se é de todo o estádio ou apenas parcialmente.

Esta terça-feira, após ter avisado que o Sporting não estava em saldo, Bruno de Carvalho acena com um contrato recorde com a NOS de 515 milhões de direitos de TV e patrocínios, a partir de 2018 e válido até 2030. O mais recente negócio milionário do futebol português não é mais uma vez comparável, preto no branco, ao do arquirrival da segunda circular, nem ao dos portistas.

Tal como o acordado com a SAD azul e branca, os leões também englobam no pacote dos 515 milhões o patrocínio da camisola da equipa principal, mas os contornos de exploração vão mais além, já que a NOS garante o estatuto de patrocinador oficial do Sporting a partir de janeiro de 2016, sem especificar que conteúdos serão incluídos no recém-rubricado acordo.

O FC Porto assinou um acordo com a PT/MEO muito semelhante ao dos encarnados, mas o pacote portista inclui ainda o patrocínio principal das camisolas.

Para baralhar o apuramento do título de melhor negociador absoluto, é necessário subtrair aos 515 milhões de euros uma parcela de 69 milhões resultante de um aditamento ao contrato atual do clube com a PPTV de Joaquim Oliveira, no qual foram revistos os valores a pagar pelos direitos de transmissão televisiva e multimédia dos jogos em casa e direito de exploração da publicidade estática e virtual do Estádio de Alvalade para esta época, para a próxima e para a de 2017-2018.

À cautela, prevendo a guerra dos operadores de telecomunicações em curso, o Benfica acionou uma cláusula em que uma das partes envolvidas no negócio, isto é, o clube ou a NOS, poderão rever os termos do contrato ou até renunciar a ele. Como o cruzamento dos mundos das telecomunicações e conteúdos avança a velocidades estonteantes, no fim tudo indica que o negócio do Benfica, não sendo em absoluto o mais chorudo, pode ser, no balanço do deve e haver, o mais rentável. Até porque o contrato do Benfica deixa de fora a publicidade no estádio e nas camisolas, por exemplo.

Apeada de vez ficou a Liga Portugal e Pedro Proença, que perdeu o comboio da prometida centralização dos direitos televisivos do futebol profissional português. A correr atrás do prejuízo, o presidente da Liga tenta agora enveredar pela criação de mecanismos de solidariedade para diminuir o fosso entre ricos e pobres - é que não há Liga só com três grandes, mesmo que valham juntos 1372,5 milhões de euros de direitos televisivos.

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