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Retornar, o verbo proibido de que aqui se fala

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DESCOLONIZAR. Foram tempos conturbados os que se viveram em Portugal há 40 anos

FOTO ALFREDO CUNHA

É inaugurado esta quarta-feira um pedaço da nossa História. “Retornar — Traços de Memória” traz à vida contemporânea um período que muitos quiseram esquecer. Os retornados vistos por eles próprios (e por outros)

Os rostos e o olhar de quem há 40 anos vivia nas ex-colónias portuguesas de África e se viu obrigado a regressar a Portugal — ou a adotar um país que nunca antes havia conhecido — são captados por Bruno Simões Castanheira. A fotografia, a preto e branco, não evoca a tristeza ou a mágoa. É um instante da vida dos retornados. À imagem junta-se o som, com as vozes a tomarem o devido lugar na Galeria Avenida da Índia, o novo espaço municipal de exposições da capital. Falamos de “Retornar — Traços de Memória”, uma exposição que não se encerra num único acontecimento e que convida a cidade à reflexão.

Estamos em Lisboa, mas as histórias nem sempre são daqui. A maior parte não pertence ao país. Pertencem a África e a uma vida que muitos portugueses tiveram de abandonar. Os bens ficaram lá longe, nas antigas colónias que eram deixadas para trás. O pensamento também para lá voa muitas vezes, em segredo. Por cá, o silêncio. Um silêncio que agora termina.

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