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Diário de um corpo em greve de fome

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PROTESTO. Isabel do Carmo nos anos 80. Fez várias greves de fome em protesto. Chegou a estar trinta dias sem comer

O que vai acontecendo ao corpo humano dia após dia durante uma greve de fome? Que sequelas ficam? E como pode o corpo readaptar-se depois de 36 dias sem comer, como os que cumpriu Luaty Beirão? A médica Isabel do Carmo explica. A ativista Isabel do Carmo conta. Também ela cumpriu 30 dias de greve de fome, nos anos 80. “Vale a pena fazer uma greve da fome se ela passar os muros da prisão”

Joana Beleza

Joana Beleza

Texto e vídeos

João Roberto

João Roberto

Grafismo

Motion designer

Janeiro de 1984. Eram oito da noite e Isabel estava a terminar as consultas no Barreiro. Teria sido um dia como outro qualquer, não fosse aquele último “doente” a entrar no consultório - não vinha para ser visto, vinha para prendê-la. Trazia um mandado de captura e dali levou-a para a esquadra. No caminho ainda parou à porta de casa dos pais dela para que lhe entregassem uma muda de roupa. Foi aí que se deu “o choque terrível” - Sérgio, o filho mais novo de Isabel, na altura com seis anos, saiu a correr em direção ao carro da polícia. Atirou-se à porta, abriu-a, gritou.

Sentada, sem nada poder fazer, aquela mulher de 43 anos, médica, ativista política e mãe de dois filhos, ficou com o coração nas mãos. Nessa noite Sérgio chorou três horas seguidas. Na manhã seguinte, Isabel foi transferida para a prisão de Custóias. Ia já em greve da fome. Era a quarta que fazia na vida.

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