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Luís Miguel Cintra, ator em modo de despedida

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ÚLTIMA VEZ. Luís Miguel Cintra em “Hamlet”, a última peça em que subirá a palco como ator, embora o artista pretenda continuar a fazer cinema e a encenar se tiver dinheiro

Rui Carlos Mateus

Luís Miguel Cintra quis encenar “o último espetáculo de uma era”. Mas “Hamlet” não é apenas um passo arriscado. É um ponto final. E um começo. Como afirmou no sábado à noite, no palco da Cornucópia, é ainda uma despedida, como ator. Para quem não viu, ainda há tempo: entre 23 de outubro e 15 de novembro, o espetáculo volta a Almada, e apresenta-se no Teatro Joaquim Benite

Antes da estreia de “Hamlet”, de William Shakespeare, Luís Miguel Cintra confessava, após mais uma sessão de ensaios, “a atração pelo abismo, a tentação do risco”. Não no mau sentido, daquele que já não tem esperança, e só espera destruir-se. Mas no de que é no desconhecido que se encontram novos sentidos, ou de que é no passo arriscado, que nos atira para fora de pé, que a arte acontece. De outra forma não podia ser. Luís Miguel Cintra nunca deixou de se desafiar: “Não quero ter o que já tenho”.

O fundador da Cornucópia entregou o papel de Hamlet, personagem pela qual atores em qualquer parte do mundo são capazes de lutar uma vida inteira, a um principiante, de 22 anos (Guilherme Gomes), na certeza de que a “sensatez é triste companhia” e que dos “tristes não reza a história”. Escolheu para si o papel de 1º ator do grupo de teatro que o príncipe da Dinamarca contrata para revelar à rainha, mãe de Hamlet, a verdade (ou seja, o assassinato do Rei pelo seu novo marido); e ainda a personagem de Luciano e de 3º coveiro que aparece no final para enterrar Ofélia.

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