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“O meu filme é uma metáfora de Portugal”

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SABOGA Realizador traz filme sobre agente da polícia do Estado Novo que duvida da própria função

d.r.

Três anos após “Photo”, aos 78 anos de idade, Carlos Saboga reincide na realização. Em “A Uma Hora Incerta” – que hoje estreia – ele regressa à memória de um Portugal atabafado e salazarento, dos anos 40, onde a polícia política tinha uma presença atemorizante. Um mundo que ele conheceu bem

A Uma Hora Incerta” é o primeiro filme português em que um agente da polícia política do salazarismo parece duvidar da justeza da sua própria função. Isto é tanto mais intrigante quanto Saboga foi um militante antisfascista que conheceu as prisões do regime fascista. De onde lhe veio a ideia, de alguém que conheceu?
É vagamente baseado em alguém que conheci e sobre o qual não sei qual seja a verdade, porque me contaram que era um elemento do Partido Comunista infiltrado na PVDE – o que me parece ser absolutamente inverosímil, porque não creio que o PCP alguma vez tenha tido esse tipo de política. O personagem do filme, o Vargas, não é um resistente, mas é alguém fascinado pelo comunismo – é por isso que tem no cofre aqueles exemplares do “Avante” e o “Que Fazer?” de Lenine – mesmo sem tomar partido, porque ele é bastante mais niilista que outra coisa qualquer, vê-se que não tem confiança em nada…

Desse ponto de vista é um filme triste…
O fim do filme – embora nada tenham a ver um com o outro – veio-me do “Baby Doll” de Kazan: no fim desse filme, há duas mulheres que ficam no alpendre de uma casa, com as malas ao lado, à espera de um homem que não vai vir. No meu filme, depois daquele assassínio, o final fica em aberto, mas eles estão fechados. Sim, é um filme triste, mesmo os personagens dos refugiados são um bocado tristes…

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