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A carreira acima de tudo

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ESTRELA Ingrid Bergman vivia o início da carreira em “Pa Solsidan” (“On the Sunny Side”), de 1936, mas havia de trabalhar em cinema, teatro e televisão quase até à sua morte

FOTO D.R.

Cumpre-se este sábado o centenário do nascimento de Ingrid Bergman. A atriz que o mundo conhecerá, para sempre, por causa de “Casablanca”, teve uma vida que também podia dar um filme

19 de Janeiro de 1957: Ingrid Bergman desce de um avião no Aeroporto de Idlewild (mais tarde renomeado JFK), em Nova Iorque. Estava a pisar solo americano pela primeira vez após a rutura de 1949, quando abandonara o cinema americano, o marido e a filha, Pia, de 10 anos, para ir atrás de um filme completamente nos antípodas de tudo o que fizera até então (“Stromboli”) e de um homem (Roberto Rossellini) por quem perdidamente se apaixonara. O caso escandalizara a América inteira. O cidadão anónimo não podia entender que aquela mulher que sempre lhe fora apresentada como esposa e mãe exemplar, que fora a Irmã Benedict de “O Sinos de Santa Maria” (1945) e Santa Joana d’Arc no filme de Victor Fleming, de 1948, se tivesse tornado uma adúltera, gerando inclusivamente uma criança do seu amante, fora do matrimónio – que Rossellini tivera de registar, em Roma, como “filho de mãe temporariamente desconhecida”. O cidadão anónimo não sabia que, nos interstícios de um casamento fracassado, mas mantido feliz em pública fachada, ela vivera uma paixão cálida com o fotógrafo Robert Capa, em Paris, 1945, e que só não se fora embora com ele, abertamente, porque ele não quis. A indignação chegara mesmo ao poder de Estado – o senador Edwin C. Johnson, do Colorado, numa escabrosa intervenção no Senado, em Março de 1950, denunciara-a como “cultora do amor livre, apóstola da degradação” e, como tal, culpada de “torpeza moral”, o que a tornaria indesejável segundo as leis de imigração e, portanto, passível de detenção e repatriamento se pusesse o pé em solo americano. Mas nada de desagradável ocorreu nesse dia de Janeiro de 1957. Ingrid Bergman tinha à sua espera um batalhão de jornalistas e um grupo de admiradores empunhando cartazes de boas vindas. E no breve fim de semana que passou em território americano, essencialmente para receber o prémio dos críticos de Nova Iorque pelo seu desempenho em “Anastasia”, foi visível para toda a gente que a América estava pronta a reconciliar-se com Ingrid Bergman. Até o agora ex-senador Johnson se afirmou feliz com o seu regresso. Meses volvidos, a Academia deu-lhe um Óscar que Cary Grant recolheu. Ingrid Bergman, todavia, não mais voltará a fixar residência nos Estados Unidos.

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