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Listas do PS à espera dos acertos finais de Costa

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Marcos Borga

Muita água pode ainda correr debaixo da ponte até à aprovação das listas de candidatos a deputados, marcada para esta noite. António Costa deverá usar a sua quota de líder para resolver ausências gritantes. Ou não.

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Nas listas de candidatos a deputados pelo PS conhecidas até à hora de fecho desta edição há ausências surpreendentes. A de João Soares é uma das mais óbvias. O antigo presidente da Câmara de Lisboa, que foi candidato à liderança do PS em 2004 (contra José Sócrates e Manuel Alegre) e foi o cabeça de lista por Faro nas últimas legislativas era tido como certo por Lisboa mas o seu nome acabou por não constar da lista que foi aprovada, ontem à noite, na reunião da comissão política distrital. Mas socialistas contactados pelo Expresso acreditam que se tratou de um lapso que o secretário-geral acabará por corrigir e que Soares acabará por constar da versão final que será apresentada hoje à noite à comissão política nacional. No processo de elaboração das listas de deputados no PS, cabe às federações socialistas indicarem cerca de dois terços dos candidatos e ao secretário-geral o restante terço, mas, em última instância, compete sempre à Comissão Política proceder à aprovação final das listas. E é aqui que o líder do partido pode forçar correções de última hora.

João Soares apoiou António José Seguro nas primárias de setembro. Mas apoiantes da primeira hora de António Costa também não constam do rol já conhecido de candidatos a deputados: são os casos de Jorge Lacão, Alberto Costa ou Elza Pais. Gabriela Canavilhas e Inês de Medeiros também não integram nenhuma das listas já divulgadas.

Direção desmente afastamento de seguristas

A direção do PS rejeitou que exista um afastamento de seguristas das listas, realçando que, só em Lisboa, há cinco nomes entre lugares elegíveis ou zona cinzenta. “Pelo círculo eleitoral de Lisboa, há três dirigentes que foram apoiantes do anterior líder, António José Seguro, em zona de eleição direta e mais dois em posição de eleição quase garantida se o PS vencer as eleições legislativas”, declarou fonte oficial. Referia-se a Álvaro Beleza e Joaquim Raposo, membros do secretariado nacional de Seguro, que estão em 11º e 13º lugares, respetivamente. Mais abaixo, com poucas probabilidades de eleição está o dirigente da UGT Joaquim Riso (18º), Paulo Marques (22º) e o coordenador da bancada socialista para a Economia, Rui Paulo Figueiredo (25º lugar). Este, entretanto, em protesto pelo lugar que lhe foi atribuído, apresentou a sua demissão do cargo de líder parlamentar do PS na Assembleia Municipal de Lisboa.

Por sua vez, Álvaro Beleza ainda não decidiu se aceita ou não o 11º lugar que lhe foi proposto por Lisboa. “Decidirei hoje à noite”, disse ao Expresso, confessando-se “preocupado com alguns socialistas que não entraram nas listas, João Soares em primeiro lugar”. Ironicamente, e apesar da ausência de nomes mais sonantes de apoiantes de Seguro como Miguel Laranjeiro, António Galamba, Isabel Coutinho ou João Proença, é muito provável que o número de seguristas no grupo parlamentar até aumente face ao número atual.O cenário conhecido até à hora de fecho desta edição apontava para a manutenção de cinco (ou seis, se João Soares ainda entrar) dos atuais deputados (Alberto Martins, Nuno Sá, Fernando Jesus, António Gameiro, Rosa Albernaz) e para a saída de dez (Miguel Laranjeiro, António Braga, Mota Andrade, José Junqueiro, Miguel Freitas, Luís Pita Ameixa, Bravo Nico, João Paulo Pedrosa, Jorge Fão e Maria de Belém - esta última por vontade própria). Mas poderão entrar no Parlamento 14 ou 15 novos nomes desta linha. E, se assim for, o saldo é positivo.

A lista do Porto, que foi rejeitada ontem à noite na reunião da distrital, terá entretanto sido refeita em diálogo entre a federação (presidida por José Luís Carneiro) e a direção naiconal.

Além das listas de candidatos a deputados, a Comissão Política de hoje também aprovará a versão final do Código de Ética, documento que tem estado a ser preparado pelos dirigentes Pedro Delgado Alves, Vitalino Canas, José Magalhães e Jorge Lacão. Por este código de ética, entre outros pontos, os candidatos a deputados pelo PS têm de assegurar não ter dívidas ao fisco nem à segurança social, nem ainda questões com a justiça. Será, de resto, esta a justificação que Costa terá alegado para rejeitar a lista proposta pela distrital de Coimbra, que incluia a recandidatura do deputado Rui Duarte, acusado de falsificação de documentos.