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“Por cada história de um grego que foge aos impostos eu conto uma de um que trabalha muito”

ALMADA Maria Vlachou vive há 20 anos em Portugal

marcos borga

O azul é o mar, o branco é a espuma das ondas do mar e a cruz é de cristãos.” Aléxandros tem 10 anos e, com gestos, explica o significado das listas da bandeira estendida sobre a mesa de jantar. Faz o sinal da cruz com a mão e completa: “cruz de cristãos, são cristãos ortodoxos”. É a cruz da bandeira da Grécia. Mas estamos em Almada e a cruz que aqui pesa é outra, é a que os gregos carregam. “Puseram-nos de joelhos”, diz Maria Vlachou, mãe de Aléxandros. “Não há Europa sem a Grécia.” Haverá?

Encontrámo-nos no dia seguinte ao referendo na Grécia, que disse “não” à proposta dos credores para continuar a financiar o país que desde 2010 está intervencionado. Maria Vlachou, 45 anos, vive há vinte em Portugal, é consultora em gestão e comunicação cultural. Ainda vivia em Ioánnina quando o país onde nasceu aderiu à então CEE, hoje União Europeia. "Houve uma grande euforia quando entrámos na União Europeia, e também quando entrámos no euro. É aquele sentimento de que fazemos parte de uma família maior, mais forte, mais coesa. Tudo isso é questionável hoje”. O que não é questionável, diz, é sair da Europa. “Até a palavra é grega. Europa é uma palavra grega. E não, não, os gregos não querem sair da zona euro. Não pode haver Europa sem Grécia, é o que dizemos entre nós, em família.”

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