Domingos Névoa, o administrador da Bragaparques, afirmou ontem, em Braga, que a permuta e a hasta pública de terrenos do Parque Mayer pelos da Feira Popular "foi legal e transparente", tendo resultado de uma "dura e longa negociação com o Município". O empresário disse, ainda, que adquiriu o Parque Mayer com base num protocolo de construção assinado pelo então presidente da autarquia, Jorge Sampaio, com os antigos proprietários.
Recorde-se que os ‘negócios’ da Bragaparques com a Câmara Municipal de Lisboa (CML) acabaram por fazer ‘cair’ a autarquia, tendo o então presidente, Carmona Rodrigues, sido constituído arguido num processo-crime, que acabou por o obrigar a apresentar a suspensão do seu mandato. O caso está, também, na origem da marcação das eleições municipais intercalares de 15 de Julho.
Farto de calúnias
Em declarações à Lusa, o empresário – que viu recentemente o seu nome envolvido no escândalo Bragapaques/CML – disse estar a ser vítima de "calúnias". Névoa lamentou que o ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carmona Rodrigues, "só agora, muito tardiamente, tenha dito que vai clarificar o assunto".
Considerando-se "farto de ser maltratado", Domingos Névoa refere que
"também Santana Lopes pode dar testemunho de que as duas partes defenderam, com grande empenho, os seus interesses, numa negociação que se prolongou por mais de três anos, e que foi sempre aberta e clara". Pelo que não admite que João Soares tenha dito que o negócio do Parque Mayer foi um “cambão”, exigindo ao ex-autarca socialista que se retrate publicamente.
O administrador da Bragaparques defende que “se houve alguém que saiu prejudicado foi a empresa: sempre defendi uma relação de 1m2 do Parque Mayer por 1,5m2 da Feira Popular, e somente pelo cansaço é que aceitei uma relação de 1,2 m2”. Névoa não hesita em dizer que “se alguém foi beneficiado com a permuta foi a Câmara”, adiantando que sempre pretendeu, na base das avaliações, a cedência de 67 mil metros quadrados pelos 50 mil do Parque Mayer, relação que considerava " justa".
AML aprovou permuta
Domingos Névoa recorda que a ideia de permuta em detrimento da de expropriação, bem como da hasta pública foi aprovada por todos os partidos na Assembleia Municipal de Lisboa, incluindo o Bloco de Esquerda (BE).
Sobre o direito de preferência na compra do remanescente dos terrenos da Feira Popular, Domingos Névoa revela que "foi uma condição que a Bragaparques impôs desde o começo, por razões de economia de escala e de coerência do projecto urbanístico para o local".
O empresário assegura que "se não houvesse a "preferência" não teríamos feito a permuta", acrescentando que o direito foi exercido nos termos legais e sem qualquer prejuízo para a Câmara.
Domingos Névoa afirma que "foram quase quatro anos de um longo processo de negociação entre duas entidades que defenderam os seus interesses o melhor que puderam".