Documento de Estratégia Orçamental divide partidos
O PS deixou hoje claro no Parlamento que é uma alternativa ao Governo, insistindo que as suas opções políticas são diferentes e apontam para o crescimento da economia e do emprego.
"O que nos une é o interesse nacional, o que nos separa é o caminho", afirmou hoje o presidente da bancada parlamentar do PS, Carlos Zorrinho, durante o debate do Documento de Estratégia Orçamental (2012/2016).
Carlos Zorrinho lamentou o facto de a maioria não ter aprovado as sugestões do partido socialista. "O PS não confunde consenso com obediência. Hoje mesmo o PS propôs seis sugestões para melhorar o Documento de Estratégia Orçamental, mas a maioria PSD/CDS recusou-as", acrescentou .
PSD: "É o interesse nacional em causa"
O PSD e o CDS aprovaram hoje a proposta do Governo de programação orçamental entre 2013 e 2016, apesar dos votos contra de todas os partidos da oposição, incluindo o PS.
Miguel Frasquilho realçou a "postura construtiva" da maioria parlamentar e do Governo, atendendo ao facto de no contexto em que vivemos não haver outra alternativa.
"O Documento da Estratégia Orçamental (DEO) ultrapassa o memorando da troika", afirmou o vice-presidente da bancada do PSD, Miguel Frasquilho.
"É claramente o interesse nacional que está em causa, nao há nenhum outro interesse que se possa sobrepor. Portugal nem os portugueses não o perdoariam", acrescentou.
O deputado socialista Fernando Medina defendeu, por seu turno, que os dados da execução orçamental só vem aumentar as preocupações em relação ao país.
"Portugal não está a ir bem. A opção pelo ajustamento rápido a qualquer preço não é certa", afirmou o deputado socialista Fernando Medina, durante o debate do Documento de Estratégia Orçamental (DEO) no Parlamento.
"DEO ataca país com mais recessão", diz BE
O Bloco de Esquerda disse rejeitar o Documento de Estratégia Orçamental, acusando o Governo de não saber desenhar uma estratégia de crescimento.
"Este Governo é bom para contar histórias, mas não para desenhar uma estratégia de crescimento", afirmou hoje no parlamento o deputado do BE Pedro Filipe Soares.
O deputado bloquista disse que o partido rejeita o Documento da Estratégia Orçamental, porque este "ataca o país com mais recessão, traz mais desemprego e pretende resolver a crise cortando nos salários e também nas pensões".
O PEV acusa o Governo de ter consciência do irrealismo das suas previsões, situação que é ainda mais grave.
"O Governo tem consciência do irrealismo do quadro macroeconómico", afirmou a deputada do PEV, Heloísa Miranda, que acusou o Documento da Estratégia Orçamental de não conter nem uma única linha sobre o desemprego.
Gaspar garante que objetivos são cumpridos
Na sua intervenção, o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, garantiu que a consolidação orçamental é condição vital para o crescimento económico e que a execução orçamental aproxima-se do previsto.
"O ajustamento da economia portuguesa está no bom caminho. Os objetivos de consolidação orçamental para 2011 foram cumpridos e a execução orçamental em 2012 está globalmente próxima do padrão previsto", disse o governante.
Vítor Gaspar realçou ainda que o consenso em relação à Europa contribui "para a imagem interna, para a coesão interna e para a imagem de Portugal na Europa".
"Como os partidos da maioria, reafirmo a disponibilidade total do Governo de trabalhar com o maior partido da oposição na densificação e abrangência desse acordo com o objetivo de consubstanciar um consenso nacional alargado a tempo da cimeira europeia de junho", conclui Vítor Gaspar.



Manuel de Almeida/Lusa
Vítor Gaspar disse que "o ajustamento da economia portuguesa está no bom caminho."
