O Natal está ao virar da esquina e o ímpeto da oferta leva-nos ao esgotamento... de ideias. Porque o que é nacional continua a ser bom, sugerimos hoje cinco álbuns de autores portugueses para oferecer nesta "quadra festiva".
Márcia "Dá" [Discos Pataca, 2010]
Carlos Barretto Lokomotiv "Labirintos" [Clean Feed, 2010]
Nuno Prata "Deve Haver" [ArtHouse, 2010]
Marco Rodrigues "Tantas Lisboas" [Universal, 2010]
No actual panorama português, Os Tornados são a banda mais aproximada ao som e imagem dos anos 60. Do Ye Ye ao rock instrumental, a banda passeia-se por sonoridades dos The Shadows, The Beatles, Roberto Carlos ou dos nacionais Tártaros, Conjunto Mistério e Conjunto Académico João Paulo.
Não se considerando revivalistas, inspiram-se nos anos da explosão do pop rock. "Twist do Contrabando", primeiro álbum editado em 2009, foi gravado com "tecnologia" analógica nos Amp Studios com o produtor brasileiro Jonas Serôdio, perito na área da gravação em fita.
Nuno Silva (voz e guitarra), Tiago Gil (guitarra), Miguel Lourenço (baixo), Hélder Coelho (bateria), Marco Oliveira (órgão) e Manuel Oliveira (percussões, guitarra acústica, theremin e voz) consolidam Os Tornados desde 2004.
Os Uaninauei, grupo que nasce em Évora em 2008, estreiam-se com o registo "Lume de Chão". O trabalho tem oito temas entre o rock, metal e pop cantados em português.
A formação da banda que se deve ler "one in a way" é composta por Daniel Catarino (voz), Alexandre Tavares (guitarra), José Lopes (guitarra), Yoann Crochet (baixo) e João Palma na bateria.
Acompanhando o fenómeno das netlabels, a Optimus tem vindo a lançar discos de autores portugueses de download legal e gratuito.
Henrique Amaro (Antena 3), organizador das colecções, tem lançado novos nomes, bandas que estão arredados do circuito dos média, ou projectos paralelos de nomes sonantes do universo musical português.
O assalto mais recente é composto por quatro propostas:
Em Novembro chega ao mercado um trabalho partilhado pela voz de Carlos do Carmo e o piano de Bernardo Sassetti. Não será jazz nem fado, mas a soma de prazeres de ambos os músicos. Refizeram algum dos gostos que recolhem no cancioneiro internacional e nacional.
Entre os temas do álbum vão estar "Lisboa que Amanhece" (Sérgio Godinho), "Porto Sentido" (Carlos Tê / Rui Veloso), "Gracias a la Vida" (Violeta Parra), "Avec Le Temps" (Léo Ferré), e "Cantigas do Maio" (José Afonso). No CD estará ainda presente uma composição inédita de Bernardo Sassetti com um poema de Mário Cláudio.
A acompanhar o registo, um documentário realizado por Aurélio Vasques que resumirá este "cruzamento" de dois grandes músicos portugueses.
É cada vez mais natural ver as novas bandas a cantar em português. Parece ultrapassado o "trauma" da métrica, que servia de justificação para a adopção do inglês como língua musical por excelência.
A contribuir para uma realidade menos anglo-saxónica na música portuguesa estão fenómenos urbanos como os Ala dos Namorados, A Naifa, Deolinda ou Virgem Suta. Uma segunda vaga chega agora com o trabalho facilitado e o mercado aberto.
"A Caruma" são uma das novas promessas. A banda da região centro tem entre as suas fileiras Carlos Martins (Umpletrue, The Clits e Annette Blade) na voz e guitarra, Rui Costa (Silence 4 e Filarmónica Gil) no baixo, Pedro Santos (Silence 4 e Filarmónica Gil) no piano e no euphonium, José Carlos (Dapunksportif e Umpletrue) na bateria e Ana Santo na voz.
A iPlay lançará em breve um álbum homónimo com 11 temas. Entre eles encontram-se "Nossa Senhora do SIS", "Diabetes com Chantilly" e "Estado Febril" que prometem um folk urbano entre os bairros de Lisboa e os Balcãs.
Um bom nome é sempre valor acrescido a um projecto. Seja ele o novo "Livro" de José Peixoto ou o trabalho do guitarrista Rui Carvalho, que se deixa chamar de Filho da Mãe.
Três músicas na sua página do Myspace divulgam uma sonoridade desprendida dos cânones comerciais dos nossos dias. Viola solo, entre a musicalidade cinematográfica de Gustavo Santaolalla (Babel, Diários de Motocicleta, 21 Gramas), os ritmos da guitarra portuguesa e clássica.
O projecto individual do guitarrista de If Lucy Fell foi parte integrante de uma compilação "Novos Talentos Fnac". Uma edição EP de Filho da Mãe é uma possibilidade a ter em conta nos próximos tempos.
Se Lucky Luke era mais veloz a disparar que a própria sombra, B Fachada é mais rápido a editar que o normal processo de "digestão" musical.
Em Abril de 2009 editou "Um fim-de-semana no Pónei Dourado", e um LP homónimo em Dezembro. Nos últimos meses tem andado em digressão com os Diabo na Cruz.
Agora, acaba de lançar pela MBari "Há Festa na Moradia". Este trabalho é gratuito e pode ser descarregado aqui
. B Fachada categoriza-o como o "disco de verão". Estará na forja um LP de Inverno?
A versão digital será sucedida de uma edição LP para coleccionadores. Serão comercializadas 500 unidades de formato LP 10" em vinil amarelo canário.
Há um novo mistério na música portuguesa: quem são os músicos dos Maria Clementina? Diz-se que a banda foi criada por uma agência de comunicação com o intuito de musicar um "refresco" de Verão.
Na arte e espectáculo, a ilusão é tudo. Quando se revelam os segredos, o interesse esvai-se. Daí que os autores da banda virtual se "escondam" por detrás de personagens de animação. Há quem diga que são músicos portugueses conhecidos do público.
Maria Clementina, que se identifica como "ruralo-pop-inconformado", tem despertado interesse pela música, leve e veraneante, e pelo mistério. Quem são os músicos por detrás do projecto, é a questão mais colocada.
A identificação de uma das vozes masculinas parece-me de resposta fácil: Tiago Bettencourt. B Fachada, atendendo ao seu estilo e catalogação do som da banda, deverá ser a segunda voz. Não colocava de parte, contudo, a participação do vocalista de Oioai, Pedro Puppe.
Na secção feminina permanece o mistério. O nome mais apontado é de Lena de Água, cantora pop dos anos 80, que faz a sua carreira agora no Jazz. É difícil de identificar mas a minha aposta vai para Margarida Pinto. Susana Félix, Nancy Vieira ou Maria de Medeiros são outras "variáveis" na mesa.
Seguir referências internacionais, já "batidas" na memória dos ouvintes, é a fórmula mais fácil de afirmar um projecto a partir do zero. Daí que não é muito difícil associar Maria Clementina ao conceito de Gorillaz... ou Corvos a Apocalyptica, Divinus a Gregorian. Há quem acredite já ter identificado o Michael Bublé? português. É a vida, como dizia o outro.
Os tempos são de tecnologia sem fios e de tratamento de informação por via digital, mas houve uma era em que se escreviam cartas à mão e se compravam cartas e selos.
Nos "tempos modernos" reina o correio electrónico e o selo assume um carácter decorativo e de distinção.
Os CTT acabam de lançar a colecção onde se relembram alguns dos melhores álbuns e artistas de rock nacionais. A escolha conduzida por Luís Filipe Barros, a voz do programa de rádio Rock em Stock, recaiu em:
Quarteto 1111 "A Lenda de El-Rei D. Sebastião"
Rui Veloso "Ar de Rock"
GNR "Psicopátria"
Heróis do Mar "Heróis do Mar"
UHF "À Flor da Pele"
Moonspell "Wolfheart"
Os selos, que reproduzem as capas do discos citados, custam 1 euro e são válidos para o envio de cartas nacionais e internacionais.