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Que mãe pariu esta burra?, dizia o cunhado que lhe batia. Hoje a burra vale milhões

Luis M. Faria
19:34 Quinta feira, 24 de maio de 2012

Do outro mundo - Que mãe pariu esta burra?, dizia o cunhado que lhe batia. Hoje a burra vale milhões

Eis uma daquelas histórias capaz de inspirar o mais atávico dos atávicos. Uma indiana nascida na casta dos 'intocáveis' é casada pela família aos doze anos.  

A besta arreia-lhe com força, e o mesmo fazem o irmão dele e a sua mulher ("Que mãe pariu esta burra?", diz simpaticamente o cunhado). A rapariga percebe que ter nascido pobre afinal era o menor dos seus infortúnios.  

Ao fim de uns meses, após muitos apelos, o pai vai buscá-la, mas a sua terra passa a olhá-la com desconfiança. A rapariga tenta suicidar-se. Tudo fica ainda pior -- alguma coisa ela terá feito, pensam os vizinhos.


O dinheiro mais saboroso

 À custa de muita insistência, a jovem consegue que lhe arranjem um emprego miserável na cidade. Recebe quinze cêntimos por dia.  

Algum tempo depois, a mesma fábrica deixa-a experimentar as máquinas de costura. Ela torna-se 'alfaiate' e salta para o equivalente a quatro euros diários -- o dinheiro mais saboroso que jamais ganhou na vida, diz hoje.  

Sendo uma pessoa com iniciativa, apercebe-se de um programa de apoio às classes baixas e pede mil dólares para abrir uma pequena indústria de costura. A empresa prospera, e começa a expandir-se. A jovem toma o gosto ao negócio.  

Emprega milhares de brâmanes

Um dia falam-lhe de uma propriedade que vai ser vendida por cinco mil dólares. Ela pede dinheiro emprestado, arranja um sócio, e constrói lá uma grande área comercial. É o princípio da sua fortuna, que hoje se mede em milhões.   

Aos 51 anos, o império de Kalpana Saroj é suficientemente vasto para empregar milhares de bramanes, membros da casta mais alta no país.  

Quando a filha quis ser hoteleira, comprou-lhe um hotel. O filho é aviador, comprou-lhe um avião. "O dinheiro libertou-nos", conclui. 

 

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Estupor, Terror e Melodracma (a Grécia entre o péssimo e o muito pior)

luis m. faria
16:49 Segunda feira, 21 de maio de 2012

Procura-se moeda forte ao largo das ilhas gregas
Procura-se moeda forte ao largo das ilhas gregas

Fazendo uma pausa na habitual sucessão de histórias insólitas, hoje vamos reflectir sobre a actual situação grega, ela própria bastante insólita, e cheia de histórias dramáticas, como infelizmente temos sabido.

Um aspecto cada vez mais visível tem a ver com dilemas. Especificamente, os dilemas dos bancos, por um lado, e quem tem contas nos bancos, por outro.

Para os bancos - ou outras instituições ou empresas - a quem alguém na Grécia deve dinheiro, a possibilidade cada vez mais forte de um regresso ao dracma significa a probabilidade vez mais forte de perder dinheiro. Muito dinheiro. Pois o dracma nunca terá valor igual ao do euro, sendo a economia grega fraca como é. Se o governo tentar impor uma taxa de câmbio artificial, o mercado não a aceitará.

Que fazer? Qualquer atitude que os bancos ou outras entidades estrangeiras tomem agora e que seja vista como reacção a uma previsível saída do euro aumenta as probabilidades de uma tal saída. Como para os devedores ela implicaria forçosamente elevados custos, há um interesse colectivo em aguentar.

Colectivo, não individual. E aqui entra o paralelo com os depositantes dos bancos. Um cidadão grego, neste momento, deve sentir uma enorme vontade de fugir dos bancos com os seus preciosos euros, se é que não o fez já. Esperar pelo regresso ao dracma é condenar-se a uma (muito provável) diminuição drástica das suas poupanças.

Muitos já retiraram os seus depósitos. Mas quantos mais o fizerem, mais os bancos enfraquecem, menos dinheiro emprestam, mais a economia se afunda, e menos os mercados confiam na Grécia. Ou seja, mais a saída do euro se torna certa.

É um pouco o mesmo problema moral de muitas outras situações, incluindo aquela a que se refere a expressão NIMBY (not in my backyard -- não no meu quintal). Aí está em causa o interesse público num ambiente saudável, contra o meu interesse pessoal, directo, em ter o meu quintal, ou bairro, ou terra, sem nada que sirva esse interesse mais geral mas me incomode a mim.

Os economistas chamam a isto, parece, externalidades negativas. Egoísmo vs. espírito cívico é outra forma de por a questão. Mas no caso da actual situação situação grega é mais terror vs sangue frio. E ter sangue frio é muito bonito, mas não serve de nada se estivermos parados no caminho quando a multidão foge aos gritos para a porta.

Arriscamos ser esmagados.

Uma coisa é certa. Todos os partidos gregos, sob uma forma ou outra, têm vindo a prometer menos austeridade aos gregos. Uma situação win-win, agora ou daqui a uns anos. Mas a situação real é exactamente a inversa. Façam eles o que fizerem, a situação vai piorar. Eles cada vez vão ganhar menos e cada vez vão viver pior.

A diferença possível é entre o melodrama - o melodracma, se nos permitem o trocadilho - e a catástrofe pura e simples. Sendo que aqui os termos estão trocados, pois a catástrofe seria mais provavelmente o regresso à antiga moeda grega.

Para a economia grega voltar a ser competitiva, dizem os economistas, os custos têm que descer quarenta por cento. Ou descem pela desvalorização monetária, ou pelos cortes.

A escolha que falta fazer, e a dignidade que sobra aos gregos, não é entre ficar ou não ficar pobre. É a de ainda poder escolher como. 

Se calhar, já não é mau. Quer dizer, é péssimo. Mas podia ser pior. Se calhar.

Mãe entrega o próprio filho para lhe balearem as pernas como castigo por se drogar

Luis M. Faria
11:03 Sexta feira, 18 de maio de 2012

Lugar onde o jovem foi entregue para ser baleado. A mãe esperou ao fundo da rua
Lugar onde o jovem foi entregue para ser baleado. A mãe esperou ao fundo da rua

Foi numa noite do mês passado. Em Londonderry, Irlanda do Norte, uma mãe levou o filho de dezoito anos a um lugar por trás de uns prédios. Deixou-o junto a um muro, com outras pessoas, e afastou-se para o fim da rua.

Ao fim de pouco tempo, ouviu dois tiros.

Correu para o filho e lá estava ele, caído, a sangrar das pernas e a contorcer-se. As primeiras palavras que disse, porém, foram: "Estou óptimo, mamã".

'Acção social' pelos tiros 

A Irlanda do Norte passou por longas décadas, se não séculos, de violência na luta entre católicos e protestantes,

Uma herança desses tempos são os grupos paramilitares que ainda existem -- uns recusando qualquer compromisso político, outros dedicando-se ao crime, e ainda outros que praticam 'acção social' como a ora referida.

No caso, foi um grupo chamado Republican Action Against Drugs (RAAD) que cometeu o feito heróico. A sua especialidade é justamente esse tipo de acção.

A mãe aprova

Levado ao hospital, o rapaz foi tratado e sobreviveu. E a mãe diz que aprova o que lhe aconteceu.

Não foi fácil, mas teve de ser, explica ela. Pode ser que assim o meu filho se salve. Com as drogas, ia a caminho da morte.

De qualquer modo, não existem garantias. E até pode ser que alguma droga seja o único meio que o rapaz tenha de aliviar as dores nas pernas. Esperemos que não.  

 

 

 

14

Assassino só diz onde guardou um dos pés cortados à vítima se puder fazer um acordo

Luis M. Faria
12:59 Segunda feira, 14 de maio de 2012

Leslie Sandoval, 45 anos
Leslie Sandoval, 45 anos

Em Janeiro, numa cidade da Carolina do Norte chamada Anderson, um sem-abrigo foi para os copos com outro. Ambos partilhavam um edifício abandonado.

Dias depois, foi encontrado o tronco de um deles, um homem de 53 anos.

Próximo do tronco, dentro do tal edifício, estavam as mãos, a cabeça e um pé do mesmo homem. Faltava o outro pé.

A autópsia revelou que a morte ocorrera em consequência de uma pancada forte. Não tardou até se descobrir o assassino: Leslie Sandoval, o outro parceiro de copos naquela noite fatídica.

Uma história de manual 

Sandoval tem uma daquelas histórias que parecem feitas para os case-studies sobre disfuncionalidade: filho de pai alcoólico que batia na mãe, criado em diversas instituições, preso várias vezes e internado em instituições psiquiátricas.

A certa altura, quase conseguiu mudar a sua vida. Encontrou um emprego que parecia estável, começou a treinar boxe. Assentou numa vida 'normal', e os seus vizinhos de então descrevem-no como educado e pestável.

Mas de repente, ficou desempregado. Voltou a beber, e entrou na espiral que terminou com o crime de Janeiro.

Se quiserem negociar...

Sandoval não nega o que fez. Diz apenas que não se lembra. Arrisca receber a pena de morte quando for julgado, diz que não se importa.

Curiosamente, recorda um pormenor: onde guardou o pé que falta. Oferece-se para dizer, caso aceitem negociar com ele.

"Tudo depende do acordo que o procurador quiser fazer", diz com um ar que simula indiferença. 

 

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Para calar jornalista,filmaram cenas íntimas com ela em casa e puseram o vídeo na net

Luis M. Faria
15:20 Terça feira, 8 de maio de 2012

Ismayilova, uma jornalista de coragem
Ismayilova, uma jornalista de coragem

O Azerbeijão vai receber o Festival da Eurovisão. Um evento cuja audiência se estima nuns cem milhões de pessoas. Muita gente pede agora o seu boicote.
    O Azerbeijão é uma daquelas antigas repúblicas soviéticas que conservou alguns dos piores traços da URSS. Nomeadamente, a corrupção maciça (muitas vezes ligada ao próprio presidente e aos seus próximos), bem como o uso da violência e outros meios de intimidação estatal para lidar com os contestatários.
    No Azerbeijão, há sete jornalistas presos por delito de opinião.
    E há outros que, não o estando, se vêm submetidos a formas de pressão tão más ou piores. Entre eles, Khadija Ismayilova, uma corajosa mulher que agora foi objeto de uma chantagem infame - ainda por cima (mas felizmente, apesar de tudo), executada de forma bastante trapalhona.

Depois das imagens, o vídeo

Ismayilova estava a preparar duas histórias sobre corrupção envolvendo familiares do presidente.
   Um dia, recebeu um envelope com imagens de si mesma a ter sexo com o namorado. Feitas na sua própria casa, sem que ela soubesse de nada. Juntamente com as imagens, uma mensagem a ameaçar destruir a sua reputação.
    Para compreender o alcance disto, convém lembrar que nesse país uma mulher que tenha relações sexuais fora do casamento é muito mal vista, e pode ficar sujeita aos chamados crimes de honra - assassinatos cometidos em nome de uma suposta pureza moral.
    Apesar disso, Ismayilova não se deixou intimidar. Avançou com as histórias, que começaram a ser publicadas. Pouco tempo depois, soube que estava a circular na internet um vídeo que a mostrava a fazer amor. Rapidamente deu com ele.

O funcionário era o mesmo

Pediu às autoridades que investigassem, mas a polícia obviamente não fez nada. Então Ismayilova decidiu tomar o assunto nas suas próprias mãos. Fez uma revista profunda ao apartamento onde morava e conseguiu encontrar uns fios que iam dar à caixa dos telefones, no andar abaixo. 
    Chamou a companhia dos telefones. E tanta sorte teve, que o funcionário  que compareceu admitiu ter sido ele a ligar os fios à caixa. Por ordem dos seus chefes (a companhia dos telefones é estatal), e sem jamais entrar em casa, onde se encontravam outras pessoas a 'trabalhar' na mesma altura.
    A polícia recusou registar o testemunho do funcionário, que neste momento já deve estar a ter problemas. Mas Ismayilova não desistiu. Tornou pública a sua história, e diz estranhar a sua própria reação ao que lhe fizeram: não vergonha, mas indignação.

A trabalhar como antes

Quanto à reação pública, garante que nada teme. No Azerbeijão as pessoas não a conhecem como mulher, explica, mas como a pessoa que investiga histórias de corrupção envolvendo a família do presidente. Já esperam que lhe aconteça tudo. 
    Diversas entidades e organizações internacionais, incluindo o Comité para a Proteção de Jornalistas, têm assumido a sua defesa, e o caso arrisca tornar-se um grande embaraço para o país numa altura importante.
    Só alguém como Vladimir Putin -- ele próprio pouco amigo de jornalistas corajosos - apareceu a dizer que não se deve misturar política com outras coisas, incluindo espectáculo e desporto. A ele também não lhe convém...
    Pela sua parte, a jornalista diz que toma as suas precauções, mas continua a trabalhar como antes. E só pede que se aproveite a Eurovisão para falar de direitos humanos no país.
 

 

 

 

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Andam a medir os deputados. Os de esquerda eram baixos, agora já não. Comem melhor

luis m faria
20:03 Segunda feira, 30 de abril de 2012

Aqui está uma notícia para fazer corar de vergonha a esquerda parlamentar - ou não. As informações vêm do Reino Unido, mas é de supor que possam ter aplicação extensiva.

Segundo parece, os deputados de esquerda costumavam ser mais baixos que os de direita.

Isto era fruto da classe social de onde provinham. Em quase todos os países, por razões ditas de ambiente (ou seja, não genéticas; tem sobretudo a ver com nutrição) as pessoas de classe alta costumam de facto ser mais altas, e as de classe baixa mais baixas. 

Operários qualificados com altura superior 

As diferenças vão aliás mais longe, uma vez que também existem diferenças entre regiões de um país, entre categorias dentro de uma mesma profissão - os operários qualificados são normalmente mais altos -- e, claro, entre os países, como há pouco se viu com o relatório sobre a diferença de altura entre coreanos do norte e coreanos do sul.

Ora bem, em relação à esquerda e aos seus representantes parece que a diferença se tem vindo a esbater. Se há trinta ou quarenta anos ela era evidente, agora mesmo os deputados ditos socialistas são de classe média e comem melhor, pelo que fica mais difícil aos seus colegas da direita olharem-nos... de cima.

A informação, repita-se, vem do Reino Unido, mas não há dúvida que em Portugal também há deputados de esquerda que se têm vindo a tornar conhecidos pela qualidade do que comem, ou no mínimo pelos restaurantes que frequentam.

Nada é bom demais para as classes trabalhadoras

Se é verdade que isso representa um certo nivelamento, e portanto é de saudar (nas palavras de um sábio, nada é bom demais para as classes trabalhadoras) também pode retirar à esquerda um dos seus motivos tradicionais de orgulho -- a sua identificação manifesta, indiscutível, visível com o povo.

O que, bem vistas as coisas, até pode ser uma vantagem na perspectiva de um bom cargo numa empresa privada, que lhes daria a oportunidade de comer eventualmente ainda melhor. E portanto, reduzir ainda mais os desníveis sociais.

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Saltará de 36 kms. Em meio minuto, quebrará a barreira do som. Depois, é sobreviver

Luis M. Faria
13:52 Quinta feira, 26 de abril de 2012

Felix Baumgartner
Felix Baumgartner
Felix Baumgartner, um austríaco de 43 anos, vai tentar o maior salto humano de sempre. A cem mil pés, ou 36,6 quilómetros de altura, lançar-se-á de um balão de hélio especialmente concebido para o efeito. Felix não é novo nestes assuntos. Fez o salto mais alto de páraquedas até hoje (das Torres Petronas, na Malásia) e o mais baixo (da mão do Cristo Redentor no Rio de Janeiro). Mas este desafio agora é especial. Desde logo, pela simples questão da sobrevivência. Embora Felix vá levar um fato pressurizado especialmente concebido para o efeito -- este é aliás um dos aspectos mais revolucionários de todo o projecto -- não tem garantia absoluta de conseguir manter-se consciente até ao momento de abrir o páraquedas. É que são imprevisíveis os eventuais efeitos sobre um ser humano de cair a uma velocidade superior à do som. Calcula-se que, após pouco mais de 30 segundos, Felix tenha atingido velocidade acima de 580 kms por hora. Sobreviverá acordado ao choque? Não sabemos. É verdade que em Março, num primeiro teste, ele já se atirou de 21 kms de altura. Mas quanto mais alto mais rarefeito o ar, portanto mais veloz a queda. Se tudo lhe correr bem, Felix quebrará não um mas quatro recordes, e entrará para a História. O ainda detentor do recorde do salto mais alto, um militar americano que realizou o feito em 1960 (estas coisas, obviamente, não acontecem todos os dias) deseja-lhe sorte. E evita lembrar tudo o que correu mal na sua própria descida.

2

Mãe disfarça-se de proxeneta para encontrar a filha raptada e quem a traficou para sexo

Luis M. Faria
13:15 Segunda feira, 23 de abril de 2012

Susana Trimarco, candidata ao Nobel
Susana Trimarco, candidata ao Nobel

Pouca gente seria capaz de fazer como Susana Trimarco, uma mulher argentina que é este ano candidata ao Prémio Nobel da Paz.

Em 2002, a sua filha Maria de Los Angeles ('Marita') desapareceu. Tinha 23 anos, e uma filha pequena. Susana e o marido, desesperados, procuraram-na por todo o lado, e começaram a dar entrevistas.

Após uma na rádio, alguém os contactou para dizer que tinha visto Marita - num bordel. Trimarco chamou a polícia, mas quando lá chegaram a filha já não estava. Segundo parece, alguém tinha avisado os proxenetas.

Fazer a ronda dos prostíbulos 

Foi aí que Trimarco começou a perceber a teia de cumplicidades entre os que fazem tráfico de mulheres - os que raptam jovens como Marita e as forçam a prostituir-se - e aqueles que são supostos impedi-lo.

Falando com algumas das mulheres no bordel, começou a ter ideia de uma rede. Mas para entrar lá dentro, não podia confiar em ninguém.

Tinha de ser ela própria. Assim fez. Vestiu-se como uma madame, treinou-se para usar linguagem a condizer, e começou a visitar os mercados de carne humana de que foi tendo conhecimento.

Num deles, viu o que descreve assim: "O prostíbulo era o lugar onde as mostravam. Cada uma tinha o seu preço. Todas tinham cara de horror. Havia até menores de 14 anos. Quando as via, baixavam a cabeça e cobriam o corpo vestido com pouca roupa. O corpo delas mostrava o terror e a dor que sofriam. Não sou psicóloga, mas percebia-se o medo".

Uma fundação com o nome da filha 


Desse medo, com o tempo, ela foi conseguindo libertar mais de 400. Há anos, criou uma fundação com o nome da filha para esse fim. Uma fundação tanto mais necessária quanto a Argentina é um dos países pior classificados em relação ao assunto em causa.

Trimarco tornou-se uma celebridade, e foi muitas vezes ameaçada de morte -- chegaram a atacar-lhe a casa, e a saúde do marido ficou completamente arruinada. Mas Trimarco não desiste.

Já fez bem a muita gente, mas ainda falta encontrar Marita, ou saber o que lhe aconteceu. Conforme ela diz, se eu não tenho descanso eles também não hão-de ter. E a prova disso é o julgamento de 13 homens acusados pelo desaparecimento de Marita, que neste momento já decorre. Entre os acusados contam-se vários polícias.

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Vá, baixar esse tom, meninas, que os srs. bispos não gostam (diz Roma a freiras feministas)

Luis M. Faria
12:41 Quinta feira, 19 de abril de 2012

Arcebispo Peter Sartain, visitador
Arcebispo Peter Sartain, visitador

"Uma séria fonte de escândalo", diz o relatório preparado pelo bispo. E qual é o escândalo? Alguma daquelas histórias como aquelas que há anos vêm fazendo manchete, em países desde os EUA à Alemanha à Irlanda, envolvendo padres e gente indefesa à sua guarda? Não, nada disso.

O escândalo é outro - e muito mais grave. Mulheres. Freiras. Que, como toda a mulher (disse um teólogo de referência há muitos séculos), são o demónio, ou a via  directa para ele. O problema é eterno, mas tem assumido formas diversas ao longo do tempo. Agora são os grupos de freiras que começam a promover ideias feministas -- incluindo a de que as mulheres um dia poderão vir a ser padres -- e assim se afastam da verdadeira doutrina, que é como quem diz, de Cristo.

Um desses grupos, a Leadership Conference of Women Religious (LCWR), que reúne um conjunto de organizações representativas de boa parte das religiosas nos EUA, há anos que irrita o Vaticano. Em 2009, a congregação que zela pelo bom estado da fé mandatou um bispo de Seattle para conduzir uma "visitação" -- i.e. uma inspeção prolongada -- às freiras americanas. 

Foi o seu relatório que esta semana fez notícia. Entre outras coisas, diz que as freiras ocupam tempo demais com a desigualdade económica e a pobreza, negligenciando flagelos como o aborto e  a homossexualidade. Para as restituir à via correcta, o dito bispo vai acompanhá-las de perto durante cinco anos. A seu lado (porque a tarefa é vasta, e o perigo ameaça a cada momento) estarão outros dois homens santos, igualmente bispos.

Para dourar a pílula, perdão, a terapêutica, o bispo incluiu no relatório um elogio às "muitas actividades louváveis" da LCWR, cuja responsável apenas conseguiu declarar-se "abismada" com a história toda. Mal conseguindo balbuciar umas palavras sobre a preocupação de Cristo com os pobres. Realmente, que pode ela saber do homem.

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Menino perdido aos 5 anos reencontra a mãe já aos trinta usando o Google Earth

Luis M. Faria
11:25 Quarta feira, 18 de abril de 2012

Saroo por volta da altura em que foi adoptado
Saroo por volta da altura em que foi adoptado

Algures na Índia, um menino de cinco anos está a trabalhar, limpando os comboios parados numa estação. É noite.

A certa altura, cansado, o menino estica-se num banco da estação, esperando que o irmão mais velho, seu companheiro de tarefa, o chame quando for altura de ir embora.

O irmão não aparece. O menino, Saroo, entra no comboio à procura dele. Não o encontra. Mas o comboio parte, e ele acaba por fazer uma viagem em direção a Calcutá. Aí fica aterrorizado com a confusão. Acaba por fazer o que muitos milhares de crianças lá fazem: pedir.

Por sorte, é recolhido e enviado para um orfanato, onde vem a ser adoptado por uma família australiana. Final feliz, ou quase -- pelo menos tem segurança e ganhou uma família.

Uma terra a 1200 kms de Calcutá 

O conforto material e a educação que recebe a partir de aí são o contraste total com o que eles viveu. Mas não lhe apagam o desejo de voltar à sua família original. Muito mais tarde, já com trinta anos, resolve ir à procura dela.

Usando o Google Earth, tenta calcular a distância a que o seu lugar de origem se encontrava de Calcutá, com base no tempo que durou aquela sua viagem fatídica e na velocidade média a que andam os comboios indianos. 

Chega a um número: 1200 kms. A partir daí e e auxiliado por outros indícios, conclui que deve ter vindo de uma vila chamada Khandwa. Um dia vai lá e começa a mostrar uma foto de si mesmo em criança.

Mãe reencontrada, irmão falecido

Alguém o reconhece. Primeiro dizem que a sua família partiu há muito, depois oferecem-se para o levar à mãe. Ainda lá está, 25 anos depois, mas tem dificuldade em reconhecê-lo. 

Por fim isso acontece. Saroo terá a satisfação de poder acompanhar os anos finais de quem o criou. Agora visita-a periodicamente, e dá-lhe assistência.

Só o seu irmão já não se encontra. É a parte mais triste da história. Um mês após a partida de Saroo, foi encontrado partido em dois junto à via férrea. 

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