22 de maio de 2013 às 13:16
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Diz que é uma espécie de democracia

O orçamento é péssimo e tem de ser aprovado. A economia europeia suicida-se e ninguém pode fazer nada. Porquê? Porque falta a política onde ela tinha de estar. Mais do que uma crise financeira, vivemos uma crise democrática.
Daniel Oliveira (www.expresso.pt)

Este orçamento tem de ser aprovado. Porque é bom? Não, é péssimo. Porque nos salva. Não, vai-nos afundar ainda mais. Porque ajuda a economia? Não, vai rebentar com a economia.

Vai ser aprovado porque não é aqui que se governa.

Não é aqui que se governa porque a Europa é governada por dois ou três países. Os restantes são meros adereços. A estrutura institucional do Euro e o conteúdo do último tratado que assinámos assim o determinam. Temos uma moeda à qual não corresponde nenhum poder politico com legitimidade democrática e real poder. O resultado é este: há o poder da chantagem sem a compensação da solidariedade.

Não é aqui que se governa porque a financialização do capitalismo tornou o poder difuso e os Estados reféns do caprichoso jogo dos mercados. E esse poder difuso, sem a força da legitimação do voto, é estruturalmente antidemocrático. Quem julgava que o mercado livre correspondia ao máximo de democracia tem aqui a resposta. A democracia só casa com o mercado se tiver o Estado como padrinho.

O que este orçamento nos diz, quando todos o acham péssimo e todos o querem defender, é que não é apenas a economia que está em crise. É a democracia. O que toda esta charada nos devia dizer, aos portugueses e aos europeus, é que vivemos uma farsa. E que um dia isto rebentará por algum lado. Os povos europeus não aguentarão muito mais vezes a chantagem de pagar a crise provocada por outros. Aqueles que salvámos há dois anos e que agora nos apontam uma pistola à nuca. Um dia os europeus vão ter de exigir que a política e as instituições em que ela é legitimada pelo povo se imponham. Esperemos que essa exigência venha a tempo de ter uma natureza democrática.

Comentários 71 Comentar
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Sócrates.Louçã e Alegre::vão para a reforma
A Democracia estã viva e recomenda-se.Quem está "enfermo" é Socrates e o seu Governo que não souberam proteger os Portugueses e os conduziram à beira da bancarrota.
Vem aí as eleições: O PS e Sócrates sairão do poder e Cavco Silva ganhará esmagadoramente à lª volta,mandando para casa,sem honra nem glória,Manuel Alegre.
E o Bloco de Louçã fará mea culpa aos militantes a tentar explicar a asneira de se juntar a Sócrates ,naquilo que teóricamente se chamará a "contradição das contradições".
Sócrates.Louçã e Alegre governado por eles,onde chegaria o País?
Pronto, voltou a cair da cama !! Ver comentário
O PSD não é um grupo de "comentadore" Ver comentário
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A hora do PSD: chegar ao poder em eleições Ver comentário
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Sócrates esteve no Tarrafal? Ver comentário
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A corrupção aumentou no tempo de Sócrates Ver comentário
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Os contentores do porto de Lisboa e Jorge Coelho- Ver comentário
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Re: Sócrates.Louçã e Alegre::vão para... caprylm56 Ver comentário
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DO
Isto é uma democracia de interesses particulares, onde a maioria destes democratas são o espelho da actual situação em que se encontra o país.
Esta ditadura democrática está sólida e quem por direito e poder tinha para a alterar não o faz pois está satisfeito com a mesma.
Quando me tocar a mim não o vou deixar fazer nem que tenha de a pagar com a minha vida, a minha dignidade não se vende nem se goza com ela, pois também respeito para ser respeitado, e é algo que esta classe política o tem feito, que é gozar com o povo.
Sócrates é um ser vil pois não respeita este país.
Também caiu da cama !!! Ver comentário
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O Brinca era um dos 2cv do Isaltino Ver comentário
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Diz que é uma espécie de Democracia
Crise nacional

Creio que a maioria das pessoas ainda não percebeu bem esta crise - e os economistas não estão a saber explicá-la com clareza.

É verdade, como se tem dito, que há uma 'crise nacional' e uma 'crise internacional'.

Mas, depois desta evidência, a confusão que por aí vai é enorme.

Comecemos pela crise portuguesa.

Trata-se de uma crise profundíssima, potenciada por três factos
capitais: o fim do Império, a passagem da ditadura à democracia e a entrada na União Europeia.

Tudo isso, que se pensava vir a ter um efeito benéfico na economia, produziu de facto consequências devastadoras.

O fim do Império limitou-nos o espaço vital, cerceou-nos
matérias-primas e mercados, diminuiu-nos política e psicologicamente.

A passagem da ditadura à democracia (com o seu rosário de greves, nacionalizações, perseguições, saneamentos, reivindicações laborais insustentáveis, etc.) destruiu boa parte do nosso tecido económico.

A entrada na União Europeia e a abolição das fronteiras pôs-nos em confronto com economias muito mais avançadas, acabando de liquidar o que restava da nossa débil capacidade produtiva.

A crise internacional é de outra natureza.

Ela decorre da globalização e tem duas vertentes.

Por um lado, os produtos feitos no Ocidente começam a não ter
condições para competir a nível global com outros produzidos em países (China, Índia, Coreia, etc.) onde os salários e as regalias laborais são muitíssimo inferiores.
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Falta de Solidariedade, democracia, racionalidade
O artigo de Daniel Oliveira "peca" por colocar correctamente o dedo na ferida. Para um especialista de Estudos Europeus e de gestão e economia, a palavra omissa no campo é solidariedade. Solidariedade que é um princípio basilar dos tratados, mas que está esquecido nas gavetas dos Conselhos Europeus.
Daniel diz que só dois países contam. Porque os outros deixam, acrescentaria eu.
De qualquer modo, como Daniel diz, é a falta de democracia o causal principal.
Obviamente que também ajuda muitos dos nossos opinion makers, ignorantes como são e alinhados como são, muitos produtos mais das agências de comunicação que verdadeiros jornalistas, o que sendo não sendo o caso de Daniel não é grave, pois demonstra alguma flexibilidade de consciência), esquecerem-se do principal. É que o homem é, quase sempre, um animal racional. Como a economia, que reflecte a racionalidade das preferências. E é assim que só libertando a sociedade civil do estrangulamento dos aprendizes e capatazes, Portugal poderá voltar aos carris. Chega de paternalistas irracionais que querem controlar o mais simples da nossa visa. Que é sermos agentes económicos com racionalidade e preferências!
É o que eu digo

Quando DOliveira fala pelo BE está tudo errado no que nos diz.

DOliveira esquece o essencial, e por isso tudo o que vem a seguir já não vale nada.

Contrariamente ao que se passa com o país, ele esquece-se essencialmente do seu ordenado, provavelmente porque estará bem assegurado.

Mas isso já não é verdade para os 600 mil desempregados que ele diz defender, já não é verdade para o Estado, já não é verdade para o sistema financeiro, já não é verdade para o sistema empresarial privado e público, que não têm dinheiro. Nem mais nem menos.

Não há dinheiro. Felizmente, não é possível pagar para ver, a tragédia seria dramática, por isso tem de se reduzir as necessidades de dinheiro, ou seja, cortar, cortar, cortar.

E eu não tenho dúvidas que neste processo recessivo haverá muitas injustiças e dramas pessoais, mas não existe alternativa. Não vale a pena remar contra a maré.
Sim, é uma farsa!
É uma farsa termos que trabalhar para sustentar a cambada dos amigos seus no RSI! É uma farsa a história das energias verdes, que só servem para engordar uns quantos! É uma farsa a quantidade de pedintes e ONGs que sugam os Estados:

http://ecotretas.blogspot... portugueses gostam é da ideologia do Daniel: mam*r o Estado!

Ecotretas
Conversa fiada do costume
Caro DO a culpa é nossa. Gastamos demais, pedimos emprestado agora estamos a pagar o almoço que julgavamos ser gratis. Há que por as contas em ordem, pagar as dividas e por Portugal a crescer, vai ver que os mercados se esquecem de Portugal.
É uma espécie de Democracia!
Daria um espectáculo altamente hilariante num programa dos "GATOS".
No entanto,para quem vai pagar a crise não tem nenhuma vontade de rir!
Re: Diz que é uma espécie de democracia
O Primeiro-Ministro de Portugal, quem verdadeiramente decide os nossos destinos, chama-se Jean-Claude Trichet. O sr. Trichet é, do ponto de vista da ética democrática, uma personagem abjecta, como o episódio dos vencimentos dos administradores do BP nos demonstrou. O Mundo está entregue a pessoas como os srs. Trichet e Constâncio e a versões menos equipadas como Madoffs, Oliveiras e Costas, Dias Loureiros, Rendeiros e quejandos. O povo, com acesso a informação como nunca, está mais desinformado que nunca. A prova disso é aquele Marques Lopes (uma criatura pesada intelectualmente e demasiado tronituante para meu gosto...) e a Clarita Alves que, como você bem salientou no último 'Eixo do Mal', não conseguem enxergar para além daquilo que as TV lhe proporcionam. Como é que arranja paciência para às vezes os aturar, só você mesmo pode saber. Está em França um movimento precioso de contestação contra as medidas que têm vindo a ser impostas pelo Sr. Trichet, repetidas por essa Europa fora. Em Portugal ralhamos, barafustamos, mas continuamos na doce madorna da nossa insofismável falta de consciência colectiva. Dia 24/11 veremos o que o país quer efectivamente. As respostas ou falta delas que daí vieram, determinarão o nosso futuro a 10 ou 15 anos...
É a bela da construção europeia!
Solidariedade e fraternidade... pois sim, balelas, a crise está a desmascarar tudo! Não só desmascarou a falsa solidariedade como a falsa democracia. Desde que impuseram o tratado à Irlanda com chantagens isto começou a feder...
Começo a achar que isto da UE ainda vai acabar mal...
Democracia nacional comprometeu-se
Concordo em parte com o que foi dito, Portugal não tem a capacidade de manobra que um Governo legítimo teria para tomar todas as opções que teoricamente lhe competem, pois está refém de grandes da UE.
Tal não é apenas culpa de uns grandes Estados Europeus. Durante décadas esses países financiaram Portugal para que este se modernizasse em equipamentos e criasse uma economia forte, competitiva e sustentável. Aqui foram os portugueses que optaram por sistema com alguns poucos projectos reprodutivos, algumas infraestruturas necessárias e algum apoio social e educacional mas que esbanjou a grande parte em coisas inúteis e num regabofe de interesses pessoais sem beneficiar o país. é esta a factura que agora está a ser cobrada, depois de ficarmos de mãos atadas a seguir ao desperdício.
Re: Democracia nacional comp ... cefariazores Ver comentário
Concordo
Concordo com o que diz mas é a realidade em que vivemos e por isso não percebo como é que partidos que se dizem responsáveis podem admitir (votando contra) que o país fique sem orçamento nesta altura do campeonato.
Por outro lado, os países que mandam na Europa são contribuintes líquidos da UE enquanto que nós recebemos mais do que aquilo que pagamos.
porreiro
Concordo em muito com o que diz. Mas se olharmos para a história a Europa nunca nunca foi unida nem o será e sempre pelas pelas razões GANÂNCIA.
Paleios

Hoje dizem-se muitas coisas. Acho que o ser humano não se cala nem durante o sono.
Mesmo quando conduz um meio de transporto, fala através do telemóvel marimbando-se dos riscos por si mesmo e pelos outros.
A escolarização permitiu aprender novos vocábulos e construir frases aceitáveis e elegantes; todavia sob o aspeto moral e digno ele caiu muito abaixo e ainda agora conserva os preconceitos antigos.
Há de assistir a um empobrecimento das consciências muito marcado e realmente espantoso.
Uma vez dizia-se que os provérbios eram a sabedoria dos povos.
Nada de mais falso.
Simplesmente a gente não era capaz de falar bem e de juntar frases apropriadas e portanto recorria a ajudas e subtilezas varias.
 
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Resposta a Tony 2
Concordo inteiramente com a sua exposição, aliás bastante sintética e concisa. Permito-me discordar somente num ponto. As consequências devastadoras da entrada para a UE e Euro podiam ter sido evitadas e ter pelo contrário resultado numa economia mais saudável e com índices de crescimento sustentável. Tal não sucedeu devido a políticas erradas dos diversos governos que tiveram no poder. Numa primeira fase, a de convergência para os parâmetros obrigatórios para adesão ao euro, assistiu-se a uma diminuição das taxas de juro, para se aproximarem das da Alemanha, o que induziu as famílias as empresas e o Estado a financiarem-se para além do desejável tendo em conta a produtividade e nível de produção do país. Nessa altura, a politica correcta tinha sido o aumento de impostos para refrear a procura e o Estado não fazer investimentos em áreas do sector não transaccionavel, mas sim apoios ao sector produtivo (sector transaccionável). Fez-se exactamente o contrário. Numa segunda fase, a da entrada no euro o Estado perdeu instrumentos de que dispunha até essa altura, de reposicionar o nível de produtividade do país com desvalorizações da própria moeda. Assim a única forma de repor a produtividade teria sido a de flexibilizar o mercado de trabalho, permitindo às empresas manter quotas de mercado. Ao mesmo tempo o Estado deveria ter direccionado os investimentos para apoio ao sector transaccionavel da economia favorecendo assim a criação de novos postos de trabalho e o aumento da ...
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