Segundo os analistas, algumas das decisões da cimeira europeia de 26 de outubro não estão ainda concretizadas nos detalhes, particularmente a forma de alavancagem do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) e a sua margem de manobra para intervir no mercado da dívida soberana. Uma injunção do Tribunal Constitucional alemão na sexta-feira passada reafirma a obrigatoriedade dos movimentos do FEEF com impacto no orçamento federal alemão deverem ser discutidos e aprovados pela Comissão do Orçamento do Bundestag (parlamento alemão). No entanto, a decisão final do Tribunal só será conhecida no final do mês.
A forma de intervenção das grandes potências emergentes através de um veículo financeiro especial talvez venha a ficar aclarada na cimeira do G20 que se realizará em Cannes, em França, no final desta semana. O diretor-geral do FEEF esteve na semana passada em Beijing. Klaus Regling ouviu os chineses repetirem que a intervenção deles exigirá contrapartidas por parte dos europeus, nomeadamente na Organização Mundial do Comércio, e que "não são fonte de dinheiro fácil". Ao mesmo tempo, os populistas europeus atacaram o recurso à liquidez chinesa como peditório de "dinheiro sujo", referindo-se a um país que é o principal parceiro comercial da União Europeia. Segundo Regling, 40% das emissões internacionais realizadas até hoje pelo FEEF tiveram "asiáticos" como subscritores.
Estreia de Draghi
Por outro lado, os investidores internacionais aguardam os sinais a dar pelo novo presidente do Banco Central Europeu (BCE), o italiano Mario Draghi, que entra em funções amanhã, substituindo o francês Jean-Claude Trichet, e que terá a sua primeira prova de fogo na reunião de governadores do BCE e na conferência de imprensa subsequente na 5ª feira. As incógnitas são duas: saber se os juros serão diminuídos e se o programa de aquisições de títulos soberanos no mercado secundário prosseguirá, enquanto a intervenção do FEEF não estiver clarificada e operacional.
Também, a reunião da Reserva Federal americana (Fed) a meio desta semana poderá dar indicações importantes para os investidores internacionais. As palavras cifradas de Ben Bernanke, presidente da Fed, são sempre interpretadas nas entrelinhas.





