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Dívidas aos bancos: uma proposta modesta

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Com a inédita sentença do Tribunal de Portalegre, que considerou que a devolução de um imóvel ao banco cobria a totalidade do empréstimo, e as declarações de Passos Coelho, que prometeu intervir para impedir que os bancos aproveitassem o arrendamento da casas por clientes seus para lhes aumentar os "spread" dos empréstimos, o tema das dívidas aos bancos voltou à ordem do dia.

Avanço com uma proposta adicional e transitória: que não só se proíba o aumento do "spread" quando a casa é arrendada pelo devedor a terceiros, como se isente de pagamento de imposto os rendimentos dos arrendamentos que se aproximem do valor da prestação que se paga ao banco, permitindo que as pessoas encontrem soluções mais compatíveis com a sua atual situação económica sem deixarem de cumprir as suas obrigações para com as instituições de crédito. Dirão que é uma exceção inaceitável. Eu digo que é uma exceção que pode prevenir outras bem mais drásticas, no futuro.

As duas medidas teriam pelo menos três efeitos positivos:

1. Protegeriam a banca da sua própria ganância cega, permitindo que quem nem consegue pagar a prestação ao banco nem consegue vender as suas casas, num momento de crise no mercado imobiliário, evite entrar em incumprimento, criando problemas acrescidos à justiça e às instituições bancárias;

2. Fariam entrar no mercado de arrendamento muito mais casas a preços relativamente baixos, animando um mercado indispensável para travar o endividamento das famílias e do País;

3. Aumentariam, muito mais do que muitas leis que põem em causa os direitos fundamentais dos trabalhadores, a mobilidade no trabalho, não mantendo milhares de pessoas presas à sua atual área de residência por terem uma casa própria que não conseguem vender.

Não sei qual a melhor solução técnica para aplicar medidas deste género. Mas sei que em tempos de crise devemos fazer tudo para impedir situações dramáticas. Mais vale isto do que, daqui a um ou dois anos, ter os tribunais cheios de processos, os bancos cheios de casas vazias e as famílias cheias de dívidas por pagar.


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Os bancos viraram agiotas!
O banco central europeu empresta a 1% dinheiro aos bancos e estes emprestam-no aos clientes a 6%.
Veja-se a agiotagem que eles praticam, nas barbas da Democracia.
E o que pode fazer o Governo?
Soube-se este fim de semana que do empréstimo da troika,boa parte foi depositada pelo Governo na banca.
Ora esta promiscuidade de interesses emtre poder politico e bancos retira capacidade de manobra ao Governo.
Mas sendo a habitação um direito dos cidadãos, bem explícito na Constituição, o Governo não deve estar à espera das decisões dos Tribunais para intervir.
Os Governos são eleitos para defender os direitos da População, não é assim?
Re: Algum fundo de verdade mas...
Re: Correcção.
Re: Os bancos viraram agiotas!
Re: Os bancos viraram agiotas!
Re: Os bancos viraram agiotas!
Problema de iliteracia?
Diz Daniel Oliveira que:
Com a inédita sentença do Tribunal de Portalegre, que considerou que a devolução de um imóvel ao banco cobria a totalidade do empréstimo[...]

Acontece que que isto, que o Daniel afirma, não aconteceu!

A entrega ao Banco da casa, PODE NÃO COBRIR a totalidade do empréstimo!

A sentença do tribunal de Portalegre diz que:
Com a entrega ao banco da casa, o valor da dívida é abatida pelo VALOR PATRIMONIAL DA CASA e não pelo VALOR DA VENDA DA MESMA.

É claro que se o valor patrimonial da casa for superior ao da dívida, esta fica saldada, mas existe muito boa gente, que deve ao banco muito mais que o valor patrimonial, como é o caso deste casal desavido de Portalegre que ainda tem de pagar 12 000 Euros à instituição financeira.

Mas que se trata de uma vitória contra o poder absoluto que os bancos gozam em Portugal e na Europa, lá isso é verdade!

Re: Problema de iliteracia?
Re: Problema de iliteracia?
Re: Problema de iliteracia?
Re: Problema de iliteracia?
Caro DO
Não me parece nada má ideia. Não sou especialista na parte jurídica, mas soa-me bem.

Os bancos não precisam de mais casas, quanto mais casas lhes são devolvidas menos elas valem e precisamos urgentemente de um mercado de arrendimento que funcione.

Vou esperar para ver o que alguns comentadores mais especializados na matéria têm para dizer, mas vejo a proposta com um olhar muito positivo.

Os melhores cumprimentos,

António

oreivaivestido.blogspot.pt
Re: Caro DO
Proposta razoável
Se o cidadão não tira rendimento extra na operação renda/prestação, não deve pagar imposto.A tributação deve exercer-se sobre os rendimentos,Não parece haver dúvidas.

Quanto às considerações sobre mobilidade, subscrevo-as totalmente, há muito tempo que clamo por uma lei de arrendamento, que preveja o despejo expedito, em caso de não pagamento.

De facto, grande parte de todas estas questões têm origem nas leis que transformaram o arrendamento numa aventura em que proprietário só pode perder. Como consequência, quase desapareceu o mercado de arrendamento, obrigando Jovens casais a assumirem compromissos para toda uma vida e agarrando-os a uma casa, limitando os seus objectivos e impedindo outros voos.

Toda uma geração que , aos 20 e poucos anos, foi obrigada a ter mentalidade de reformado, que não gosta de se afastar da sua rotina.
Estou convencido de que algum do desemprego existente se deve a essa relutância de mudar de vida e procurar as oportunidades onde elas estiverem.
A propriedade da casa alterou os tempos psicológicos e criou milhares de "jovens de pantufas"

A ministra parece que ficou a meio caminho, mas é preciso uma nova lei de arrendamento, já e depressa.Cada minuto, mais uma casa vendida.....
Re: Proposta razoável
Re: Proposta razoável
Re: Proposta razoável
DO
É bastante interessante a sua proposta, mas para os banqueiros e pulhiticus deste país é capaz de não agradar esta ideia.
E veja que estamos nesta situação graças a muitos banqueiros e políticos com a sua ávida ganância pelo dinheiro e poder.
Dívidas aos bancos uma proposta modesta
O mal está feito e vem de muito longe e o que foi uma medida razoável para a altura, revelou-se um pesadelo para o futuro. A Lei do congelamento durou tempo de mais e os Inquilinos passaram a explorar os Senhorios. Não vale a pena perder tempo em encontrar os culpados, mas foi a força das circunstâncias. Há que resolver este problema quanto antes. Fazer mais casas dá trabalho a muita gente e enriquece alguns, mas acaba por empobrecer muitos mais. Já há casas mais que suficientes e de sobra. Com os jovens a emigrar a situação ainda se vai agravar. Há que evitar a todo o custo uma bolha imobiliária, mas o governo com o aumento do IMI, pode muito bem provocá-la. Se não houver muito senso e cuidado a bomba pode rebentar. Só o arrendamento pode salvar o óbvio.

viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/04/divida-privada-um-problema-para.html

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viriatoapedrada.blogspot.pt/2012/04/portugal-beira-da-catastrofe.html?utm_source=BP _recent
Que estranho
...esta história do bicho papão, um dia é o banco, o outro o supermercado, a seguir o primeiro ministro, depois virá o quê, Marte?

Tenho 20 casas, todas pagas, TODAS declaradas, TODAS pagam impostos, algumas estão alugadas com rendas de 20 euros, serei incapaz de despejar os inquilinos que delas precisem, baixo as rendas caso tenha concorrência, mas não consigo por a andar os inergúmenos que delas não precisam, ou seja, eu não consigo ter mais receita logo não pago mais impostos, como não alugo mais a quem precisa e PODE pagar, e as minhas propriedades não se valorizam.

Começei a trabalhar aos 12 anos de idade, não tive verões de 3 meses na praia, cheguei a pagar juros ao banco a 30%, não falhei um pagamento, tive que por vezes ter mais que um emprego ao mesmo tempo. Com estas propostas já só me resta esperar pela lata de feijão com uma estrela no rótulo e o resto "foiçe".

Modesta, a proposta? Direi antes, exótica!
Re: Que estranho
Re: Que estranho
Re: Que estranho
Re: Que estranho
Os bancos, os bancos...
Não percebo como os bancos podem aumentar o spread se se arrendar a casa. A não ser que esteja no clausulado, não podem. Talvez porque passa a ser 2ª habitação.
Os bancos habituaram-se a um mercado pouco esclarecido e muito competitivo ao mesmo tempo. Isto faz com que tenha procurado taxas de rentabilidade nos produtos de cross selling. Como isso acabou e a rentabilidade do crédito à habitação deve ser negativa, neste momento, andam aflitos. Então, atiram o barro à parede, a ver se pega.
O arrendamento poderia ser um bom negócio para eles, mas os bancos são pouco flexíveis, o que inviabiliza o negócio. Até que se mexam e a coisa tenha rentabilidade...
Re: Os bancos, os bancos...
Embuste....?
Porque será que estou com a sensação que o Governo e a Banca estão é a correr a criar legislação à pressa que defenda a Banca dos processos e decisões dos tribunais? Pelas medidas que já li vejo é a urgência da Banca criar defesas como por exemplo a decisão de só considerarem a divida liquidada se 60% da divida já estiver paga e outras medidas idênticas que estão a cozinhar..ás escondidas.
Exceptuando a medida pensada em criar entraves à proibição na alteração dos Spreds nenhuma das soluções que analizei vem defender as pessoas para melhor das possíveis decisões do tribunal. A ver vamos se estou enganado....
1º de Maio
Para que se não perca, importante ver:

www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=NAahM20e0mw
É uma boa proposta
A sua proposta é bem justa, mas vamos ver o que diz o Governo. Também penso que é necessário encontrar uma solução que alie os interesses dos bancos (não podemos viver sem eles) mas que haja justiça social, num momento de crise onde os termos têm de ser ajustados para não haver mais dificuldades financeiras.
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Edição Diária 17.Abr.2014

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