Foguetes disparados a partir do Líbano atingiram hoje de manhã o norte de Israel, provocando ferimentos em cinco pessoas, informaram fontes militares. O porta-voz do Hamas no Líbano já negou qualquer responsabilidade do movimento islamita nos disparos.
"Não podemos repreender nenhuma facção palestiniana e não sabemos quem disparou os foguetes", declarou Raafat Morra, porta-voz em Beirute do movimento islamita contra o qual Israel prossegue uma ofensiva na Faixa de Gaza há 13 dias.
Empenhado em garantir a trégua mediada pela ONU que pôs fim à guerra de 2006 entre o grupo radical Hezbollah e Israel, um porta-voz do governo libanês também já veio dizer que está a tentar apurar quem lançou hoje foguetes a partir do sul do Líbano contra Israel.
"O Líbano recusa e condena o lançamento e a resposta (de Israel) e considera o acto uma violação da resolução 1701" da ONU, que pôs fim à guerra de 2006 entre o Hezbollah xiita e Israel, garantiu o porta-voz que pediu para não ser identificado devido a normas governamentais.
Recorde-se que a resolução 1701 pôs fim, a 14 de Agosto de 2006, às hostilidades entre o Hezbollah e Israel, mas não implica um cessar-fogo permanente. Israel lançou uma ofensiva contra o Líbano depois de o Hezbollah, alegadamente, raptar dois soldados israelitas, a 12 de Julho.
Israel contra-ataca
Os quatro foguetes do tipo katioucha atingiram o sector ocidental da Galileia e o sector da cidade de Nahariya e de kibboutz Kabri, provocando ferimentos em cinco pessoas, informou o exército israelita.
Após este ataque, os habitantes da região de Nahariya foram chamados a permanecer nas zonas protegidas das suas casas. No Sul do Líbano, os habitantes da aldeia de Tayer Harfa, perto da fronteira com Israel, revelaram ter ouvido fortes explosões cerca das 6h30 (4h30 em Lisboa).
Em resposta, o exército israelita disparou cinco granadas em direcção ao Líbano, indicou um porta-voz militar. "Disparámos directamente para a origem dos tiros de foguetes provenientes do Líbano", declarou o porta-voz.
Hezbollah pronto para a guerra
Quarta-feira, o chefe do Hezbollah libanês, Hassan Nasrallah, afirmou estar pronto para uma nova guerra com Israel, ameaçando o Estado hebreu de represálias ainda maiores do que durante o conflito de 2006 se este abrisse uma segunda frente paralelamente à da Faixa de Gaza.
"Todas as possibilidades são reais e estão em aberto", ameaçou, durante um discurso difundido num ecrã gigante perante dezenas de milhares de pessoas, reunidas nos arredores sul de Beirute.
"A guerra de 2006 será como um passeio para os israelitas se estes se arriscarem a lançar um novo ataque" contra o Líbano, ameaçou, referindo-se ao conflito que provocou 1.200 mortos no Líbano, essencialmente civis.
Terça-feira, o Primeiro-ministro israelita Ehud Olmert lançou uma advertência ao Hezbollah contra uma eventual abertura de uma nova frente na fronteira norte de Israel. "Que ninguém se engane quanto à nossa determinação sobre todas (as) frentes", declarou o primeiro-ministro israelita à rádio militar.
Israel decidiu mobilizar dezenas de milhares de reservistas e estes podem ser chamados a efectuar a defesa da fronteira do norte do país em caso de ataque do Hezbollah, revelou rádio israelita.