Dinamarca azeda estreia da laranja (pouco) mecânica
Holanda desilude na estreia do Euro e perde por 1-0 com a Dinamarca. Foi a primeira surpresa da prova e pode fazer mossa nas contas do grupo B... e de Portugal. Krohn-Dehli marcou o único golo aos 24'.
Antes do jogo houve muita parra (ou conversa sobre favoritismos e afins); no final, sobrou pouca... laranja. Um golo solitário de Krohn-Dehli provocou a primeira grande surpresa do Europeu e deu a liderança do grupo B à Dinamarca. E de falta de hipóteses a Holanda não se pode queixar - fez 28 remates à baliza, só oito enquadrados e... zero golos.
O MINUTO 89'. A Holanda não perdeu por causa do árbitro, ponto prévio. Já na primeira parte tinha passado ao lado uma mão na bola de Simon Poulsen que deixou muitas dúvidas, mais uma adenda. Agora, deixar passar um penálti onde Jacobsen corta uma bola de Huntelaar de braços abertos foi um erro demasiado evidente para passar em claro...
O MOMENTO A bola ao poste de Robben, aos 36'. Porque não fez logo aí o 1-1 e porque não aproveitou uma falha clamorosa de Andersen, guarda-redes dinamarquês que substituiu o lesionado Sorensen e que estava com mais medo de falhar do que vontade de brilhar na estreia. A partir daí, agigantou-se e fez defesas impossíveis a segurar o resultado
O HERÓI Krohn-Dehli, o avançado do Brondby que já tinha feito estragos contra Portugal - marcou o primeiro golo na vitória por 2-1 em Copenhaga que relegou a Seleção nacional para o playoff - e que conseguiu furar a defesa holandesa com uma finta que deixou os dois centrais sem reação antes de fazer o 1-0 (24'). E por pouco não repetiu o feito aos 42'
A ESTRELA Zimling faz lembrar o mítico Gravesen, mais conhecido como o Shrek da Dinamarca que despachava todos os adversários que apanhava pelas redondezas com o pé que estivesse mais à mão. E tem a fibra do ex-jogador: num dos últimos treinos antes do jogo, foi conduzido a um hospital de Kharkiv depois de uma pancada no tornozelo direito mas ainda recuperou a tempo e fez um jogo... monstruoso. A destruir, tirando espaço aos médios holandeses; a recuperar, com inúmeras bolas roubadas; a assistir, lançando Eriksen ou os alas para transições rápidas
O JOKER Jetro Willems tornou-se o jogador mais novo de sempre a alinhar numa fase final do Europeu (18 anos e 71 dias), superando o ex-capitão belga Enzo Scifo (18 dias e 115 dias). O lateral do PSV aproveitou a lesão do habitual - que falhou a prova - e convenceu o selecionador Bert van Marwijk, deixando Bouma e Schaars no banco. Talvez por essa juventude foi dos piores da Holanda, sobretudo na segunda parte onde teve de lidar sozinho contra Rommedahl e o lateral Jacobsen
O SEGREDO O low profile dos nórdicos, que não se importaram nada com o estatuto de outsiders, dentro de campo deram a bola e o controlo do jogo à Holanda mas foram letais na altura de decidir o jogo (e ainda tiveram mais oportunidades de ampliar a vantagem). Kjaer e Agger, os centrais tatuados dos pés à cabeça (literalmente), foram também uma muralha intransponível que reduziu espaços aos criativos
O ERRO A estrutura inicial da Holanda perante um adversário que defendia com todos atrás da linha da bola. O sistema tático (4x2x3x1) até tem lógica: dá consistência ao meio-campo, puxa pela veia ofensiva dos laterais e liberta os homens da frente para mostrarem a valia técnica acima da média; o modelo de jogo é que nem por isso - Van Bommel e De Jong só destroem, "fogem" da primeira fase de construção e com isso partem a equipa. Na segunda parte subiram e a equipa... melhorou
O NÚMERO 28 remates da Holanda deram zero golos. Foram poucos os jogadores que não tentaram visar a baliza mas ou a pontaria estava desafinada (20 por cima ou ao lado) ou Andersen tapava os escassos espaços em aberto. Ao contrário da Dinamarca, que conseguiu enquadrar os oito remates na baliza de Stekelenburg
O ACONTECIMENTO A Dinamarca nunca tinha conseguido ganhar no primeiro encontro de uma fase final, somando até 2012 três empates e quatro derrotas, e conseguiu quebrar essa malapata contra uma Holanda a quem não ganhava há... 45 (!) anos. Os comandados de Morten Olson continuam em grande - seis vitória e um empate nos últimos sete jogos
O AMANHÃ A Dinamarca, maior candidata ao último lugar do grupo, é uma forte candidata a acabar a próxima jornada no topo do grupo B caso pontue com Portugal; já a Holanda tem duas finais e, caso perca o próximo jogo com a Alemanha, pode levar o guia de marcha...
FICHA DE JOGO Estádio do Metalist, em Kharkiv (Ucrânia). Árbitro: Damir Skomina (Eslovénia). Holanda: Stekelenburg; Van der Wiel (Kuyt, 85'), Heitinga, Vlaar, Willems; De Jong (Van der Vaart, 71'), Van Bommel; Robben, Sneijder, Afellay (Huntelaar, 71'); Van Persie. Treinador: Bert van Marwijk. Dinamarca: Andersen; Jacobsen, Kjaer, Agger e Simon Poulsen; Kvist, Zimling; Rommedahl (Mikkelsen, 84'), Eriksen (Schöne, 74'), Krohn-Dehli; Bendtner. Treinador: Morten Olson. Golo: 0-1, Krohn-Dehli (24'); Cartões amarelos: Van Bommel (67'), Simon Poulsen (78') e Kvist (81')


EPA
Michael Krohn-Dehli não falhou, na cara do guarda-redes holandês
