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Dilma Rousseff: "Há grande esforço de conciliação na Rio+20"

A Presidente do Brasil defende o documento final em discussão pelos chefes de Estado e diz que não é um recuo em relação à conferência do Rio-92, como criticam as ONG. Clique para visitar o dossiê Conferência Rio+20
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Dilma Rousseff com o Presidente francês,François Hollande
Dilma Rousseff com o Presidente francês,François Hollande / EPA

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Dilma Rousseff, Presidente do Brasil, afirmou no discurso de abertura da cimeira de chefes de Estado e de Governo da Conferência Rio+20 que o documento ali proposto é o resultado de "um grande esforço de conciliação" entre os países da ONU.

A Presidente defendeu que o documento não representa um recuo em relação à conferência do Rio-92 (de 1992), como dizem várias importantes ONG presentes no Rio de Janeiro, e destacou os avanços conseguidos nas negociações, como a introdução da erradicação da pobreza como o principal objetivo global e a criação de um fórum de alto nível para o desenvolvimento sustentável.

Dilma Roussef nomeou também o fortalecimento do Programa da ONU para o Ambiente, o alargamento e reforço da participação da sociedade civil em todo o processo, bem como o reconhecimento da insuficiência do PIB como indicador para medir a produção de riqueza de cada país. A Presidente brasileira marcou o seu discurso de forma solene: "Cabe a nós, dirigentes mundiais, demonstrar capacidade de liderar e de agir, quando os olhos e o coração do mundo estão voltados para esta cidade. Neste momento histórico, temos plena consciência de que o futuro das próximas gerações aguarda as nossas decisões".

Mas Dilma Roussef também defendeu o atual modelo económico e social do Brasil, ao afirmar que este modelo é um exemplo para os outros países, porque "o Brasil soube crescer democraticamente e ao mesmo tempo protegeu o ambiente e promoveu a inclusão social", provando que "é possível avançar através do desenvolvimento sustentável".

François Hollande descontente com documento final


Tiago Carvalho François Hollande criticou a tentativa de se limitar a conferência a uma discussão sobre economia verde
O Presidente francês, no entanto, disse em conferência de imprensa na Rio+20 que ficou descontente com alguns aspetos do documento final apresentado na cimeira de chefes de Estado e de Governo, apesar de destacar o facto de se ter incluído a erradicação da pobreza como condição fundamental para o desenvolvimento sustentável, bem como o reforço do Programa da ONU para o Ambiente ou o acordo sobre a preservação dos oceanos.

Refletindo a posição da União Europeia em relação aos resultados das negociações, François Hollande criticou a tentativa de se limitar a conferência a uma discussão sobre economia verde. "Alguns quiseram fazer da Rio+20 um debate apenas sobre a economia verde, mas esta não é a solução para tudo", insistiu o Presidente francês, acrescentando que "o desenvolvimento sustentável também é uma maneira de sairmos da crise, embora não nos proteja dela, porque isso passa por combater o protecionismo". François Hollande defendeu a criação de uma taxa sobre as operações financeiras na União Europeia para financiar as ações de desenvolvimento sustentável nos países mais pobres e disse que a França vai instituir em breve essa taxa e dar o exemplo à Europa.

Sobre a crise, o Presidente francês referiu que não é apenas económica mas também ecológica, e para sairmos dela "precisamos de um número maior de prioridades que levem em consideração a causa ambiental".

Com efeito, reforçou François Hollande, o desenvolvimento sustentável "não é um entrave mas uma oportunidade, não é um instrumento de protecionismo para favorecer alguns países em relação a outros mas é um objetivo global, que todos os países têm de adotar em conjunto".

Brasil critica quem exige ambição sem aumentar financiamento


Tiago Carvalho A ministra do Meio Ambiente do Brasil, Izabella Teixeira,e o embaixador Luiz Alberto Figueiredo
Entretanto, o embaixador Luiz Alberto Figueiredo, negociador-chefe da delegação do Brasil na Rio+20, criticou em conferência de imprensa "quem exige ambição de ação e não põe dinheiro sobre a mesa", dizendo que a atitude desses países "é pelo menos incoerente".

A criação de um fundo de quase 30 mil milhões de euros para financiar ações de desenvolvimento sustentável, uma proposta das grandes economias emergentes, como o Brasil e a China, e de outros países em desenvolvimento - o chamado G-77 -, acabou por não avançar na conferência, devido à crise que afeta os mais importantes doadores, os países europeus.

A ministra do Meio Ambiente do Brasil, Izabella Teixeira, que também esteve nesta conferência de imprensa, denunciou "a falta de compromisso de alguns países na criação de formas concretas para financiar o desenvolvimento sustentável". Com efeito, "houve dificuldade para que países desenvolvidos alocassem recursos, fazendo aquilo que deveria ter sido feito na Rio-92".


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Comentários 2 Comentar
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Acabem com as favelas do Rio1
Começar por ai,era um bom sinal da coerência dos politicos participantes.
Caso contrário não passa do "charme" da fotografia e tudo continua como há 20 anos!
Grande ventania na conferência:
O capachinho do Hollande, levantou voo e aterrou na Dilma e ainda por cima na confusão, a Izabella perdeu a dentadura!
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Edição Diária 17.Abr.2014

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