A utilização da digressão internacional da tocha olímpica para protestos políticos está a levar o Comité Olímpico Internacional (COI) a ponderar se irá manter o ritual em futuras edições. Após os manifestantes pró-Tibete terem levado ontem a que a tocha fosse apagada em Paris, novos protestos estão previstos para amanhã, quando a chama passar por São Francisco.
Sun Weide, um porta-voz do comité de organização das Olimpíadas de Pequim, condenou os actos, que qualifica como "uma blasfémia" contra o espírito das olimpíadas, considerando que demonstram que afinal os apoiantes da causa tibetana não são "manifestantes pacíficos". Ao mesmo tempo, manifestou a determinação de que o ritual seja cumprido até ao fim. "Nenhuma força irá parar a tocha dos Jogos Olímpicos", afirmou Sue.
A actual prática da digressão internacional da tocha olímpica teve início no ano 2000 nas Olimpíadas de Sydney e entretanto expandiu-se para 21 cidades, para além do percurso que fará na China.
"Penso que os eventos do Tibete acenderam o potencial para protestos. Acredito firmemente que o percurso inicial era o correcto, que a tocha deveria seguir simplesmente de Olímpia, Grécia, até ao país anfitrião", afirmou Kevan Gosper, membro australiano do COI.
Esta semana o COI mantém, na capital chinesa, os últimos encontros com os organizadores dos jogos de Pequim. Gosper disse que avisaram os seus colegas chineses de que Londres, Paris e São Francisco, seriam pontos sensíveis para a passagem da tocha.
Alex Gilady, um membro israelita do COI afirmou que o fim da digressão internacional da tocha após Pequim já foi discutido e que deverá voltar a ser analisado.