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Dia da Terra: Reposição dos recursos vivos já é negativa

Nobel da Paz diz que a procura de recursos vivos da população do Planeta já excede em 30% a sua capacidade de regeneração. 

Virgílio Azevedo
12:02 Quarta feira, 22 de abril de 2009
"
É preciso mudar o estilo de vida, em particular os hábitos alimentares, porque o ciclo da carne é muito intensivo em energia e em emissões de CO2"
, afirma Rajendra Pachauri
" É preciso mudar o estilo de vida, em particular os hábitos alimentares, porque o ciclo da carne é muito intensivo em energia e em emissões de CO2" , afirma Rajendra Pachauri
Paulo Cunha/Lusa

A procura de recursos animais e vegetais dos 6, 8 mil milhões de habitantes da Terra já excede em cerca de 30% a capacidade que o nosso planeta tem em repô-los ao mesmo nível, revelou Rajendra Pachauri quando esteve a semana passada em Lisboa.

O presidente do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) da ONU e Nobel da Paz 2007 com Al Gore , que deu uma conferência no Convento do Beato no âmbito do Mês da Sustentabilidade - uma iniciativa do Expresso e do BES -, disse que seriam necessárias 1,3 Terras para repor o equilíbrio dos seu recursos vivos.

A situação é mais preocupante na América do Norte e nos países da UE, onde a pegada ecológica de cada habitante (área do território de que necessita em termos recursos) é largamente superior à bio-capacidade da sua região. Em contrapartida, na América Latina e Caraíbas a situação é precisamente inversa.

Pachauri chamou a atenção para as fortes pressões que existem sobre o uso da Terra em todo o Mundo por causa do crescimento da população, do desenvolvimento económico, da urbanização e da procura de biocombustíveis.

10 kg de cereal para produzir 1 kg de bife


E destacou o fenómeno do aumento do consumo de carne em países emergentes, dando particular destaque aos 1300 milhões de habitantes da China, onde o crescimento tem sido exponencial nos últimos anos. O presidente do IPCC recordou que "para produzir 1 kg de bife são necessários 10 kg de cereal", mas há alternativas proteicas de origem vegetal sustentáveis para a alimentação humana.

"É preciso mudar o estilo de vida, em particular os hábitos alimentares, porque o ciclo da carne é muito intensivo em energia e em emissões de CO2. E há também um problema de segurança alimentar mundial no futuro: se cada vez mais pessoas comerem mais carne, não haverá cereais suficientes para as necessidades humanas, porque a conversão de calorias dos cereais em calorias de carne é muito pouco eficiente".

Quanto ao estado da Biodiversidade, o economista e cientista do ambiente indiano salientou que o actual ritmo de extinção das espécies é cem vezes mais elevado que no passado, traçando um cenário negro para as próximas décadas: "As taxas de extinção poderão crescer mil a dez mil vezes e uma em cada quatro espécies de mamíferos estará ameaçada de extinção".

Com o aquecimento global, os recursos hídricos portugueses poderão escassear no futuro
Com o aquecimento global, os recursos hídricos portugueses poderão escassear no futuro
Ivo Pires/Lusa

Stresse hídrico já atinge 700 milhões de pessoas


O cenário não é mais animador para a escassez da água: em 2025 mais de três mil milhões de pessoas poderão viver em países com problemas de stresse hídrico. Actualmente, esse já é o problema com que se confrontam cerca de 700 milhões de pessoas em 43 países, a maioria dos quais países em desenvolvimento.

Quanto ao Aquecimento Global, Pachauri explicou que o Árctico, África, as pequenas ilhas e os grandes deltas dos rios asiáticos e africanos (Mekong, Ganges, Nilo) serão as regiões mais afectadas.

Os sistemas e sectores mais prejudicados serão, por sua vez, os recursos hídricos, a agricultura, os sistemas costeiros, a saúde humana e ecossistemas como a tundra, a floresta boreal, as regiões montanhosas, a floresta mediterrânica, as florestas tropicais, os recifes de coral e a vida nas águas geladas do Árctico e da Antártida.

Em Portugal, o Nobel da Paz destacou "a redução da disponibilidade de água, as secas mais frequentes e prolongadas, o aumento do risco de incêndios florestais e a extensão da época dos fogos, o impacto negativo das ondas de calor na saúde pública, a redução de 30% no rendimento das culturas hortícolas, perdas de 62% na biodiversidade das espécies das regiões montanhosas, e a redução do fluxo de turistas no Verão".

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E o que é que vamos fazer? NADA! Como sempre!
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 14:12 | Quarta feira, 22 de abril de 2009
Vamos continuar a olhar todos para o nosso umbigo, a exigir cada vez mais, a querer cada vez mais, a pedir cada vez mais. Um destes dias o Planeta estoura de vez e não será certamente por qualquer intervenção divina.

Quando é que a Humanidade começa a discutir, de uma vez por todas, de forma séria, clara e responsável, a questão demográfica?

Qual vai ser o primeiro político mundial a afirmar que a Humanidade tem de arranjar forma de reduzir os seus efectivos populacionais ou, a curto prazo, teremos de enfrentar a fome, a guerra e a destruição generalizadas?

Uns pedem e gritam por mais igualdade económica e outros pedem e gritam por mais liberdade económica. Uns e outros, de tão envolvidos que estão nas suas insanas disputas, não se apercebem dos caminhos para onde nos estão a conduzir.

Cada vez mais a Humanidade se assemelha ao uma comunidade de pessoas que viajam a alta velocidade num autocarro e, enquanto discutem se devem virar à Esquerda ou à Direita, caminham inexoravelmente em frente para um abismo. E, quanto mais dele se aproximam, mais discutem e nada fazem.

A Humanidade tem de encolher e tem de encolher muito. Não há planetas por aí, ao Deus-dará, para habitar, quando este estiver completamente exangue.
 
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    Re: E o que é que vamos fazer? NADA! Como sempre!    Ver comentário
Fala francês (seguir utilizador), 1 ponto , 14:40 | Segunda feira, 27 de abril de 2009
A TERRA TEM DIREITOS
Musoko (seguir utilizador), 2 pontos , 17:14 | Quarta feira, 29 de abril de 2009
Os animais criam os seus territórios. O homem levou isso a sério e criou fronteiras, países, dentro dos países dividiu terras, criou religiões, regimes políticos, classes sociais, partidos políticos, empresas, empresários, trabalhadores por conta de outrem, crimes, cadeias, escolas de vários níveis, dinheiro, casas, mobílias, água canalizada, luz, construiu estradas de asfalto para os seus carros, abateu florestas, extinguiu outras espécies, poluiu rios e mares, inventou o casamento e o sexo por prazer e por negócio, criou a moda, criou a escrita, criou o cinema, a televisão, os computadores, os telemóveis e as suas antenas, descobriu o vinho, o café, as drogas, criou médicos mas não erradicou as doenças...
A Terra assiste a tudo isso, como se fosse um ente morto, sem vida.
Mas a Terra tem vida... e se tem vida tem direitos.
 
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O Dia da Terra
Miranda07 (seguir utilizador), 1 ponto , 15:03 | Quarta feira, 22 de abril de 2009
O Dia da Terra, para ter algum significado, tem de ser um dia ("todos os dias") dedicado à “humanização” do ser humano e da sociedade. O desastre ecológico não deriva do número de seres humanos neste planeta (ainda cabem muitíssimos mais!); o problema está na agressividade com que os seres humanos não só se relacionam uns com os outros, mas, também, nessa medida, com o próprio planeta. Caso contrário, como explicar que a marca inscrita no planeta seja imensamente superior nas zonas mais "desenvolvidas", como a Europa e os USA, do que nos países ditos sub-desenvolvidos, como sejam os da África e da América Latina. Por outras palavras, a maior agressão ao eco-sistema vem de zonas onde a população está em declínio. Contudo, em minha opinião, o problema muito antes de ser demográfico, que em certa medida também é, é um problema de estilo de vida, de graves injustiças na distribuição dos recursos e, sobretudo, de uma total irracionalidade quando se trata de defender os próprios interesses e a própria ideologia. Finalmente, acho que o que mais falta faz são pessoas, seres humanos educados, formados para a socialidade e a convivência pacífica, capazes de cooperar uns com os outros. Como bem sabemos, tantas vezes tem bastado uma "simples" ideia para resolver uma enorme montanha de problemas. Sempre foi assim. A meu ver, assim terá também de ser se quisermos resolver o problema, grave, da sustentabilidade dos nossos modelos de desenvolvimento. Inteligência, precisa-se!
 
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    Não deriva do n* de seres humanos!    Ver comentário
Fala francês (seguir utilizador), 1 ponto , 14:55 | Segunda feira, 27 de abril de 2009
    Re: O Dia da Terra    Ver comentário
Fala francês (seguir utilizador), 1 ponto , 17:27 | Segunda feira, 27 de abril de 2009
Reposição ou tranformação?
José veloso (seguir utilizador), 1 ponto , 23:49 | Sábado, 2 de maio de 2009
Desde todo o sempre, numca nos faltou o necessário, pode não ter sido como gostariamos ou o que queriamos, mas o neces~sário numca nos faltou, uma vez que nenhum de nós está abandonado, a não ser aparentemente, uma vez que nossos guias Espirituais e nossos Anjos de Guarda não nos abandonam. Como é do conhecimento geral, devemos ir gradativamente modificar os nossos hábitos alimentares, dessa forma se há espécies que vão sendo eliminadas , outras serão criadas com nutientes identicos, ou melhores para os corpos fisicos. Em ultimo caso teremos os planetas infinitos que existem no Universo Infinito em que seremos alimentados pelo fluido Universal, como nos tem alimentado desde todo o sempre. Numca façamos de Deus um ser à nossa semelhança, mas tomemo-lo como o todo Universal. Para as pessoas que não acreditam na reencarnação, não se esqueçam de que nós já tivemos milhões de corpos diferentes, desde a nossa habitação nas profundezas dos oceanos, até ao estado em que nos encontramos.
 
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