Dia da Mulher. Não, obrigado!
Hoje é incontornável não falar nele, sobretudo num blogue feminino como este. Odiado por umas, amado por outras, certo é que há um dia dedicado a nós e que se assinala hoje - o Dia Internacional da Mulher.
Por mim riscava esta data do calendário, porque acho que é inútil e acaba por reforçar as desigualdades de género, sendo mais um dia como tantos outros de comemorações impostas - do pai, da mãe, dos namorados, e que acabam por ter um forte cariz comercial. De resto, também não há dia do homem, certo? Não queremos igualdade?
No entanto, percebo alguns dos argumentos dos saltos altos que comemoram este dia. Afinal, serve para nos lembrar que de facto as desigualdades ainda existem e que as mulheres tiveram e continuam a ter de lutar pelos mesmos direitos e oportunidades dos homens, que os recebem de mão-beijada.
Foi no início do século XX que nasceu este dia, no cenário das lutas das mulheres por melhores condições de vida e de trabalho, e pelo direito de voto, que mostrou o reconhecimento do papel da mulher na sociedade, como indivíduo responsável, útil, ativo e válido. Cem anos depois, as conquistas são efetivamente grandes, mas há ainda um longo caminho pela frente. Na verdade, as mulheres continuam a ser tratadas de forma indevida pela sociedade: discriminadas, exploradas e subjugadas. São sobretudo as mulheres que são vítimas de violência doméstica, que sofrem maus-tratos e que, como consequência máxima desse tratamento desumano, chegam a morrer. Só em 2011 foram assassinadas pelos companheiros 23 mulheres em Portugal.
Adeus a empresas machistas
Além disso, continuamos a ter uma cultura empresarial arcaica e machista, que não é digna do século XXI. Ora vamos a números: o "Jornal de Negócios" escreve hoje que Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE) recebeu no ano passado 114 pedidos de parecer relativos ao despedimento de mulheres grávidas. Um estudo também de 2011 revelou que só 28% das empresas nacionais planeavam contratar mulheres com filhos. Já para não falar em mulheres a liderar empresas, cuja percentagem é muito reduzida em Portugal.
As boas notícias, essas vêm do outro lado do Atlântico. O Senado brasileiro aprovou ontem uma lei que define uma multa para empresas que paguem um valor inferior a mulheres que se encontrem nos mesmos cargos de homens. Este sim é um exemplo a seguir.
Mais igualdade, por favor!
Em termos globais, custa-me vivermos em pleno século XXI e alguns insistirem na igualdade conquistada, quando na verdade me parece claro que ainda estamos a anos-luz desse tão desejado desfecho.
Juro que não percebo por que é que as mulheres continuam a ser mal remuneradas e atingem, em muito menor número, os lugares de topo. Apesar de achar que devia ser um processo natural, talvez seja mesmo necessário estabelecer quotas para impulsionar a contratação de mulheres e aplicar multas às empresas que compactuam com estas injustiças.
Pode parecer um cliché mas é verdade - o Dia das Mulheres é todos os dias. Não é preciso darem rosas às senhoras no shopping ou inundarem os murais no Facebook com votos de 'feliz dia das gajas' - o que nós queremos é mais igualdade. Parece simples, mas não é? Então, vamos a isso!
Autoras: Ana Areal, Liliana Coelho, Paula Cosme Pinto, Sofia Rijo, Solange Cosme
Editora: Plátano (coleção Livros de Seda)
Preço: 11,80€ em loja, 10,62€ se for adquirido via site da Editora Plátano
Páginas: 158
ISBN: 9789727708598
Saiba mais sobre o livro:
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