Dezenas de raparigas mortas sem razão aparente num lugar onde há anos isso era rotina
O horror voltou a Ciudad Juarez. Só este ano, mais de sessenta raparigas já desapareceram ou foram mortas - encontradas aos bocados em parques, em valas, noutros lugares. E não se sabe por quem, como de costume.
Foi a partir dos anos 90 que se intensificaram os misteriosos assassinatos de jovens nessa cidade mexicana próxima dos EUA. Muito associada ao tráfico de droga, Ciudad Juarez sempre teve elevados níveis de violência. Mas o fenómeno agora em questão é de um macabro sem igual.
Há uns anos, chegavam a morrer mais de trezentas raparigas por ano. Depois o número baixou, e em 2012 está outra vez a subir.
Motivos diversos, por vezes misturados
A polícia diz que, à primeira vista, as causas possíveis são várias. Violência domestica, ciúmes (em certos casos os assassinos serão mulheres), tráfico de droga. Motivos diferentes podem misturar-se.
Uma coisa é certa: esse tipo de crime tornou-se moda. Dir-se-ia que todos os motivos são bons para matar mulheres jovens - são quase sempre jovens e magras, com bom aspecto.
Para muitas famílias, custa acreditar que a sua filha, a rapariga exemplar, boa aluna, que criavam, se tivesse deixado envolver em algo menos próprio. E mesmo a própria morte se nega - aquela caveira não é dela, a menina há-de aparecer mais dia menos dia.
Outros massacres
Não é só aí que cresce o morticínio. Os trabalhadores que procuram emigrar para os Estados Unidos têm de lidar com gangues que muitas vezes cobram em sangue o que não conseguem receber em dinheiro. Ainda recentemente houve um massacre desse tipo com quase uma centena de vítimas.
A guerra à droga e aos gangues, lançada pelo presidente Vicente Fox e depois pelo seu sucessor, Felipe Calderon, parece ter tido pouco sucesso mas conduziu a um brutal aumento dos assassinatos.
Perante tamanho horror, não é de estranhar que o sobrenatural faça a sua aparição, com histórias como a daquele polícia que contou a uma mãe desesperada que tinha falado com o espírito da sua filha morta.


Uma marcha contra o femicídio
