Dez mortos e 80 feridos são os números mais recentes dos confrontos de hoje nos arredores de Maputo, segundo fontes da Polícia da República de Moçambique (PRM), citadas por alguns órgãos de comunicação local.
Durante o dia, a Lusa deu conta de seis mortos e mais de uma centena de feridos, cruzando fontes de três hospitais da capital.
No entanto, dados provisórios avançados pelo porta-voz do Comando Geral da PRM, Pedro Cossa, ao final da tarde, numa conferência de imprensa, indicam apenas "quatro óbitos e 27 feridos, entre os quais dois agentes da polícia".
A violência desencadeada hoje em Maputo foi provocada pela subida dos preços dos bens essenciais. Até ao momento, não há registo de portugueses entre as vítimas.
Moçambicanos foram "usados"
Num discurso à nação, esta noite, o Presidente de Moçambique, Armando Guebuza, disse que os moçambicanos foram "usados" nas manifestações e apelou à "calma e serenidade" da população, garantindo que o Governo "continuará a trabalhar para assegurar o retorno à normalidade da vida".
Armando Guebuza afirmou que os "compatriotas que são usados nesta agitação estão exatamente a contribuir para trazer luto e dor no seio da família moçambicana e para o agravamento das condições de vida dos nossos concidadãos".
"Lamentavelmente, em vez de uma manifestação pacífica e ordeira assistimos a manifestações que se saldaram em óbitos e em feridos graves e que também resvalaram para cenas de vandalismo, bloqueio de vias de acesso e destruição e saques de bens", disse Armando Guebuza.
O chefe de Estado moçambicano lamentou, no entanto, "a perda de preciosas vidas humanas e a destruição de bens públicos e privados" durante os protestos, "uma situação agravada por fatores externos que incluem a crise financeira, de alimentos e a subida dos preços dos combustíveis" no mercado internacional.
"Empenhemo-nos todos no aumento da produtividade nos nossos setores de actividade continuando assim, a fazer a luta contra a pobreza a nossa agenda individual e coletiva", apelou, acrescentando: "o Governo está consciente da situação que vive o nosso povo, uma situação agravada por fatores externos que incluem a crise financeira e de alimentos e a subida dos preços dos combustíveis".