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Um 3-1 pode transformar-se num 0-2? Pode. Mas não seria a mesma coisa

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FOTO MIGUEL VIDAL / LUSA

Não é a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez que o FC Porto ganha 3-1 em casa nas competições europeias - é a quarta. E das outras vezes passou sempre, uma delas contra o Barcelona, em 1972/73. E a única vez em que foi eliminado ao trazer dois golos de vantagem (2-0) foi em 1980.

O parágrafo é delicioso, palavroso e comprido. E está no "Diário de Lisboa" de 23 de outubro de 1980:



"Mas, como qualquer grande equipa, o Grasshopper tem, também, o seu 'calcanhar de Aquiles'. Em nosso entender, ele situa-se precisamente no guarda-redes e 'capitão' da turma, Berbig, um sujeito alto, médico nas horas livres, que tanto evidenciou grande descontracção [não há acordo ortográfico], como, de um momento para o outro, ficou todo encrispado [encrespado, erro de ortografia] por causa da má cobertura feita (segundo ele) pelos seus companheiros da defensiva e designadamente pelo homem que jogou na posição de 'líbero', Meye, de seu nome."

Na véspera deste texto, o FC Porto ganhara nas Antas ao Grasshoppers por 2-0 com um golo de Sousa e outro de Teixeira. O resultado fora simpático e os portistas partiriam para a Suíça com a segunda ronda da Taça UEFA na mão. Disse o treinador Herman Stessi: "Nada está decidido, embora dois golos de vantagem deem alguma tranquilidade".



Correu mal: no jogo de lá os portugueses não conseguiram manter o resultado de cá e caíram no prolongamento com um penálti de Hans-Jörg Pfister (3-0).



Foi mau.

Mas é bom.



Porque esta foi a única vez em que o FC Porto desbaratou uma vantagem de dois golos trazida de casa em competições europeias - e aconteceu há muito tempo, no tempo em que Pinto da Costa e José Maria Pedroto se mexiam nos bastidores para um dia retomar o poder do clube que era de Américo de Sá. 

O histórico e a história estão do lado do FC Porto para o jogo desta noite com o Bayern de Munique (19h45), a quem ganhou por 3-1 há uma semana. Porquê? Porque das outras três vezes em que os portistas saíram de casa com vantagem igual, passaram sempre: Barcelona, Valencia e Nantes. Simpático, não é? Sim, é.

Aqui estão os resultados que dão o conforto extra a Lopetegui e a sus muchachos a poucas horas do jogo de Munique:

 

  • 1972/73: 3-1 (c) e 1-0 (f), contra o Barcelona 
  • 1980/81: 2-0 (c) e 0-3 (f), contra o Grasshopper
  • 1981/82: 2-0 (c) e 0-0 (f), contra a AS Roma
  • 1985/86: 2-0 (c) e 0-0 (f), contra o Ajax
  • 1989/90: 2-0 (c) e 2-1 (f), contra o Flacara Moreni
  • 1989/90: 3-1 (c) e 2-3 (f), contra o Valencia
  • 1993/94: 2-0 (c ) e 0-0 (f), contra o Floriana
  • 1994/95: 2-0 (c) e 1-0 (f), contra o Lodz
  • 2000/01: 3-1 (c) e 1-2 (f), contra o Nantes
  • 2003/94: 2-0 (c) e 2-2 (f), contra o Lyon