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Super Dragões têm ordens para acalmar adeptos portistas

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Vítor Pereira nunca soube falar para dentro nem para fora do balneário do FC Porto

Fernando Veluso/Lusa

Líder da claque portista recebeu ordens da SAD para dispersar os adeptos após a eliminação da Taça de Portugal, aviso que não evitou lançamento de petardos ao autocarro da equipa.

Isabel Paulo (www.expresso.pt)

Os líderes das claques do FC Porto, nomeadamente Fernando Madureira. que comanda os Super Dragões, foram alertados pela administração da SAD portista para dispersarem e serenarem os ânimos dos adeptos que, em fúria, se deslocaram, sábado à noite, ao estádio do Dragão, após a pesada derrota (3-0) e consequente eliminação da Taça de Portugal para a equipa de Vítor Pereira, registada frente à Académica do ex-colega Pedro Emanuel.

Apesar das ordens superiores, no entanto, cerca de 200 adeptos não arredaram pé das imediações do recinto do FC Porto, tendo equipa e treinador sido recebidos com pedras, tochas e petardos.

Vítor Pereira, ex-adjunto principal do 'mestre' André Villas-Boas, já avisou os jogadores de que não há mais margem para erros e que um desaire na quarta-feira, em casa do Shakhtar Donetsk, para a Liga dos Campeões, ou  no sábado, na receção ao Sporting de Braga para a Liga portuguesa, ditará a sua saída do clube.

Vítor Pereira não comove jogadores

Segundo apurou o Expresso, o discurso de Vítor Pereira, ontem, no primeiro treino após a derrota frente ao antigo nr. 2 de André Villas-Boas, não terá comovedido os jogadores, que embora respeitassem o técnico como adjunto "nunca lhe reconheceram suficiente autoridade como líder".

Entre os jogadores mais contestatários estará o quarteto que quis sair no defeso, entre os quais se contam Rolando, Fernando, Guarín e Álvaro Pereira.

De acordo com fonte próxima do técnico, o líder dos rebeldes será, contudo, João Moutinho, o jogador distinguido com o Dragão de Ouro e dado por Pinto da Costa como grande exemplo do "jogador à Porto".

Moutinho será líder dos rebeldes

João Moutinho, que brilhou no jogo de apuramento com a Bósnia, é um dos casos paradigmáticos de inexplicável sub-rendimento na equipa de Vítor Pereira, que nunca soube falar nem para dentro nem para fora do balneário.

Embora a administração da SAD esteja inclinada para despedir de imedato o treinador, Pinto da Costa tem resistido ao divórcio litigioso "em nome da coerência".

Em 30 anos, o presidente do FC Porto nunca despediu um treinador líder no campeonato. Além de resistir até ao limite do razoável a 'chicotadas' a pedido popular, Pinto da Costa estará também condicionado pelos insistentes e rasgados elogios endereçados a Vítor Pereira quando justificou a escolha deste para herdar a cadeira de sonho de Villas-Boas.

Pinto da Costa resiste ao poder da rua

A prová-lo está o ataque (murros, pedradas e até um very light) de que foi alvo o carro de Co Adriaanse, em fevereiro de 2006, por um grupo de 25 elementos dos Super Dragões, alegadamente orientados pelos seus principais líderes - Fernando Madureira e Rui Teixeira.

Na altura, Pinto da Costa não só não cedeu ao apelo dos detratores do técnico holandês, que acabara de empatar (0-0) em Vila do Conde, como segurou Co Adriaanse até ao final da época.

O técnico campeão nacional acabou por se despedir no defeso da época seguinte em conflito com a SAD por causa de um pretendido ponta-de-lança holandês, quando as hostes já tinham acalmado.