Siga-nos

Perfil

Expresso

Desporto

Sporting venceu seleção chinesa em Pequim há 32 anos

Em 1978, a equipa do Sporting viajou para Pequim para defrontar a seleção da China, composta só por jogadores amadores.

Augusto Inácio e outros antigos futebolistas do Sporting jamais esquecerão o jogo que disputaram no verão de 1978 em Pequim com a seleção da China, um país que na altura vivia num mundo à parte. 

Menos de uma hora antes, o Estádio dos Trabalhadores - então o maior da China, com 80 000 lugares - estava vazio. 

"Não sei como é que eles fizeram aquilo?!", recordaria o antigo capitão do Sporting Augusto Inácio". "Quando entrámos em campo, o estádio estava completamente cheio". 

Na altura, Portugal e a China não tinham relações diplomáticas e o futebol chinês era uma modalidade amadora.  

Jogadores chineses corriam muito

Os jogadores chineses tinham "falta de rigor técnico" e eram "taticamente imperfeitos", mas "corriam muito". 

"Eram muito rápidos, sempre em grande correria, e nós, com o calor e a humidade, víamo-nos aflitos para os acompanhar", contou também Inácio.

No 1.º de maio de 1976, no mesmo estádio, um professor brasileiro assistiu a um jogo entre duas equipas locais, com a presença de Jiang Qing (a mulher de Mao Zedong) e do primeiro ministro, Hua Guofeng. 

Segundo escreveu, o futebol chinês era "mais civilizado" do que na antiga Inglaterra: "Os jogadores não gritam, não gesticulam, não reclamam. Raríssimas faltas".  

Futebol silencioso e civilizado

"É verdade", confirmaria Augusto Inácio. "Tínhamos por vezes a sensação de estar a jogar contra uma equipa de mudos". 

O Sporting, que acabara de ganhar a Taça de Portugal, frente ao FC Porto, venceu a seleção chinesa por 2-0 e nos dois outros jogos que disputou na China, ganhou um e empatou outro.  

Mas o resultado mais importante não se traduzia em golos.  

A digressão foi promovida pela Associação Democrática de Amizade Portugal-China, uma organização criada pelo Partido Comunista de Portugal (Marxista-Leninista), o único grupo político português reconhecido pelo Governo chinês.  

Portugal e China não tinham relações diplomáticas

"Estão finalmente criadas as condições para que dentro de semanas se torne possível a abertura de relações diplomáticas entre Portugal e a China", dizia o semanário Expresso na véspera da partida do Sporting para a China.

Isso só aconteceria, contudo, em fevereiro de 1979, dois meses depois de o Partido Comunista Chinês ter adotado uma nova política, denominada de "Reforma Económica e Abertura ao Exterior". 

Chineses não estavam inscritos na FIFA

No verão de 1978, a China não estava sequer inscrita na FIFA: "Primeiro a Amizade, Depois a Competição", era o lema que regia o desporto. 

"Os jogadores eram muito corretos. Nunca contestavam o árbitro e aceitavam tudo o que ele decidia", recordaria também Inácio. 

Um alto funcionário chinês comparou o Sporting com a equipa de pingue-pongue americana que foi a Pequim em 1971, abrindo caminho à histórica viagem do presidente Richard Nixon à China, em fevereiro do ano seguinte.  

"Os americanos, que jogaram com uma bola pequena, abriram uma pequena porta. Os portugueses jogaram com uma grande bola e abriram uma porta grande", disse o presidente da Associação Chinesa de Amizade com os Países Estrangeiros, Wang Bingnan. 

 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

O Expresso apoia e vai adoptar o novo Acordo Ortográfico. Do nosso ponto de vista, as novas normas não afectam - antes contribuem - para a clarificação da língua portuguesa.

Por outro lado, não consideramos a ideia de que a ortografia afecta a fonética, mas sim o contrário. O facto de a partir de 1911 a palavra phleugma se passar a escrever fleugma e, já depois, fleuma não trouxe alterações ao modo como é pronunciada. Assim como pharmacia ou philosophia.

O facto de a agência Lusa adoptar o Acordo Ortográfico, enquanto o Expresso, por razões técnicas (correctores e programas informáticos de edição) ainda não o fez, leva a que neste sítio na Internet coexistam as ortografias pré-acordo e pós-acordo.

Pedimos, pois, a compreensão dos nossos leitores.