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"Podia ser um bom exemplo para Benfica, Belenenses e... Sporting"

Seleccionador assume que o exemplo madrileno seria muito positivo para a modalidade e revela que o Sporting pensa implementar o rugby.

Ricardo Capela

Tomaz Morais é uma pessoa simples. Não se considera "o Mourinho do rugby", mas assume que o "compromisso" é muito importante. Depois do Mundial, também ele teve convites, mas manteve-se fiel ao projecto nacional. O objectivo é conduzir o rugby português ao profissionalismo. E Tomaz Morais não tem dúvidas de que as condições existem, mas deixa o aviso: "É preciso dar os passos certos."

Quem é Tomaz Morais?

É a pessoa que está sentada à sua frente! (risos). É uma pessoa simples, que gosta do que faz, que se entrega a todos os projectos. Tomaz Morais é essa pessoa equilibrada, que funciona quase sempre a favor de um grupo, de uma equipa que lidera. Sente-se uma pessoa que faz parte da estrutura e que todos os dias dá o melhor em prol da estrutura. Uma pessoa que gosta de fazer melhor no dia de hoje do que no dia de ontem e sempre com o olho no amanhã.

Na vida pessoal, sentiu alguma diferença depois do Mundial?

Tenho que ter algum cuidado. Houve um maior conhecimento em relação ao trabalho que eu estava a fazer com a equipa, com a Federação e com o rugby e hoje em dia há muitas pessoas que me conhecem e que querem partilhar comigo experiências. E isso é positivo.

Muita gente considera-o o Mourinho do rugby. Considera-se assim?

Não (risos)... Isso foi alguém que lançou, e que ficou. É mais um elogio do que uma comparação.

Também teve alguns convites, não foram só os jogadores...

O CRC Madrid convidou-me para fazer o projecto de integração do clube no Real Madrid. O convite partiu a meias do CRC e do Real Madrid. Eles estão com hipóteses de, em Abril, serem absorvidos pelo Real Madrid. Seria um grande passo para o clube, para o rugby espanhol mas sobretudo para o rugby mundial. Seria, por exemplo, um bom exemplo para o Benfica, em Portugal, para o Belenenses e, quem sabe, para o Sporting, que tem ideias também de começar com o rugby. Poderia ser uma motivação extra para levar o projecto em diante.

E a posição na SAD do Sporting?

Foi suspensa, devido à minha indisponibilidade de tempo. Resolvemos esperar por um momento bom para retomar. Existe vontade das duas partes, os momentos de oportunidade é que nem sempre têm sido coincidentes.

A sua função no rugby poderia ser importante no desenvolvimento da tal ideia de criar o rugby no Sporting?

Não, no rugby não. Foi sempre uma coisa que me pediram. O Sporting é o Sporting, a SAD é a SAD, e o rugby seria para o Sporting, e não para a SAD. Eu não quero ser um motor de pressão, até porque há outras pessoas. O Sporting tem, na pessoa do seu presidente e do Dr. Miguel Ribeiro Teles, pessoas capazes para implementar o rugby. Não precisam de mim para isso.

Portugal tem condições para que o rugby se torne um desporto profissional?

Tem, não tenho dúvidas. Mas é preciso dar os passos certos, esses passos estão a ser dados, precisam de ser consolidados, não podem correr mal.

Compromisso: nunca desistir. Selou este pacto com os jogadores. Acredita que este é o caminho?

Acredito. Sou uma pessoa que acredita na persistência e no compromisso. Foi assim que fui educado e é assim que gosto de educar os meus grupos. Achámos que devíamos recriar um lema para a equipa e que esse lema teria a ver com o compromisso. Se um dia começámos num sentido só, devíamos ir até ao fim todos num sentido só, e estávamos a desistir antes do tempo, porque ainda tínhamos possibilidade de nos apurar para o Mundial. Tínhamos de acreditar até à última. Nessa perspectiva, fizemos um trabalho de "team building", de onde saiu o compromisso: nunca desistir.

A transferência do Vasco Uva é um prémio para ele?

Ui, isto não é um prémio. È uma prova de fogo duríssima, porque o Vasco é um jogador com um nome muito grande no desporto português, se algo correr mal em França vai ser dura a avaliação. Por isso, não podemos chamar de prémio, mas de prova de fogo.