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"O campeonato ainda está longe do nível pretendido"

Apesar das carências, as equipas reforçaram-se bem este ano e chegaram a Portugal estrangeiros de boa qualidade.

Ricardo Capela

Como seleccionador, Tomaz Morais é provavelmente das pessoas mais atentas ao campeonato nacional de rugby. Um campeonato que, diz, está "ainda longe do nível pretendido. No entanto, a aposta das equipas está a resultar e os estrangeiros que chegaram este ano têm muita qualidade. E a Selecção Nacional está atenta.

Como é que avalia, nesta altura, o campeonato português?

É um campeonato que está longe do nível pretendido. Tem pouco ritmo, pouco tempo útil de utilização da bola, tem muitos tempos mortos. Mas este ano foi reforçado com uma coisa muito boa: os estrangeiros que foram contratados são todos de boa qualidade, que é algo que não se verificou nos últimos anos. As equipas podem ter um acréscimo de valor por essa questão e isso pode puxar pelos jogadores portugueses. Mas o campeonato não é o que queremos ainda.

Falou nos estrangeiros de boa qualidade. O Joe Gardner será o expoente máximo desses jogadores?

É um jogador acima da média, principalmente na utilização do jogo ao pé, e quando bem serviço, também no jogo à mão. Tem que evoluir no plano físico para poder ter o mesmo jogo num nível mais elevado. Isso será bom para o rugby português, porque o Joe Gardner estará disponível para jogar pela Selecção Nacional a partir de Setembro.

O rugby não tem barreiras relativamente à naturalização de jogadores. O Joe Gardener pode ser então um reforço de peso...

Posso mesmo dizer que o Joe Gardener já nos teria sido útil em muitos jogos, num passado recente. Houve muitos jogos em que estivemos brilhantes mas que tivemos uma grande lacuna na eficácia do jogo ao pé, e sem dúvida que poderíamos ter conseguido outras vitórias se tivéssemos um jogador como o Joe Gardener na equipa. Se ele se juntar à equipa a partir de Setembro virá no ano mais importante, que é o ano em que se começa a disputar o apuramento, e virá com uma grande motivação. Mas não só ele. Falo também em outros jogadores: por exemplo, o Conrad Stickling, que neste momento é o grande líder da equipa da Agronomia. Ele já está apto para jogar, estamos apenas à espera de um parecer da Secretaria de Estado do Deporto. Por isso nós ainda não quisemos jogar com ele, - apesar de estar disponível desde Outubro - não quisemos arriscar, porque acima de tudo queremos cumprir e respeitar as regras. Mas estamos a fazer um esforço imenso para que ele possa jogar já no dia 2, na Geórgia.