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"Não é caso para chorar." Mourinho cai na Champions

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"No domingo temos de dar mais um passo para vencer a Premier League. Temos de seguir em frente" - assumiu Mourinho, resignado, no final da partida

Paul Gilham/Getty Images

Depois do empate a 1-1 em Paris, a jogar em Londres o Chelsea tinha tudo para seguir para os quartos da Champions. Mas deixou-se eliminar (2-2) diante de um PSG privado da sua estrela maior, Ibrahimovic, expulso à meia hora... de um jogo com 120 minutos.   

O que têm em comum Derlei, Alenitchev ou Diego Milito? Para os mais distraídos, estes serão apenas nomes estranhos e que pouco ou nada acrescentarão. Mas José Mourinho, por certo, não dirá o mesmo. Os craques mencionados levaram-no à ribalta do futebol europeu, com títulos internacionais que o colocaram entre a elite dos treinadores de futebol.

Por essa altura, a avassaladora fome de títulos com que conduzia as suas equipas fazia com que os adversários temessem qualquer confronto com o "Special One". Assim, seria impensável, ou quase, que uma equipa com dez jogadores desde o minuto 30 de um jogo com prolongamento ousasse discutir uma eliminatória com uma das suas formações. 

Momento em que o árbitro Bjorn Kuipers expulsa Ibrahimovic

Momento em que o árbitro Bjorn Kuipers expulsa Ibrahimovic

John Sibley/Reuters

Mas esta quarta-feira à noite, em Stamford Bridge, um Paris Saint-Germain privado da sua estrela maior - Zlatan Ibrahimovic foi mal expulso à meia hora de jogo - demonstrou ser uma equipa mais serena, eficaz, acreditando até final que seria possível a passagem à próxima ronda. Em dois lances de bola parada, David Luiz (que melhor forma de voltar a Londres...) e Thiago Silva, no fecho do prolongamento e quando os londrinos já faziam a festa, selaram a eliminação: após dois empates (1-1 em Paris e 2-2 em Londres), o maior número de golos fora marcados pelos franceses decidiram o vencedor.

"Disse aos meus jogadores que não é um mau jogo que me vai fazer desatar aos pontapés às portas e às mesas. Temos de manter a serenidade e fazer uma análise em conjunto" - disse um resignado José Mourinho na análise ao jogo. 

Com um perfil algo apagado, bem distante daquele que o caracterizou, o líder dos 'blues' tentou desvalorizar a eliminação, preferindo apontar para a frente: "Não é tempo de chorar mas de analisar o que correu mal. No domingo temos de dar mais um passo para vencer a Premier League. Temos de seguir em frente" - assumiu resignado.

Thiago Silva, marcador do golo que selou o empate final em Stamford Bridge, festeja a passagem do PSG aos quartos de final da Liga dos Campeões

Thiago Silva, marcador do golo que selou o empate final em Stamford Bridge, festeja a passagem do PSG aos quartos de final da Liga dos Campeões

FACUNDO ARRIZABALAGA/EPA

Durante a partida de ontem, o tradicional cântico com o nome do português não ecoou pelas bancadas de Stamford Bridge como vinha sendo hábito. Estará o "Special One" a começar a perder pedalada entre os adeptos mais saudosos da glória passada, apesar da liderança segura da equipa na Premier League? O melhor será esperar para ver. Mas a verdade é que desde ontem à noite, em fóruns de simpatizantes, várias críticas a esta queda perante o PSG relevam o facto de Mourinho, nas seis épocas que soma de permanência em Londres, nunca ter conseguido levar o Chelsea até uma final europeia.