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Marco Silva, Dom Quixote e a realidade do Sporting

EPA/GERRY PENNY

Apesar de bastar um empate para o Sporting passar aos oitavos de final da Liga dos Campeões, Marco Silva pediu uma vitória. Mas o Chelsea estragou o desejo quixotesco (3-1). O Chelsea... e o Schalke, que derrotou o Maribor e atirou o Sporting para a Liga Europa.

Na semana passada, o Bayern de Munique abriu as portas de um dos treinos da equipa, transmitindo-o em direto no site do clube. Num dos primeiros exercícios, viram-se alguns jogadores numa rabia de sete contra dois. À primeira vista, a coisa parecia desigual, mas deixava de o ser quando se percebia que os jogadores de fora estavam obrigados a dar apenas um toque na bola. O que se seguiu, ao contrário do expectável, foram 54 toques perfeitos, pondo os dois jogadores do meio a rodar que nem baratas tontas durante 30 segundos (é conferir aqui).   

Ora quem já deu um pontapé que seja numa bola sabe que jogar bem e (muito) depressa não é para todos. É fácil para os jogadores do Bayern Munique? Sim. É fácil para os jogadores do Chelsea? Sem dúvida. É fácil para os jogadores do Sporting? Depende. Porque, por muito boa vontade que se tenha, nem Carrillo é Nani nem o Chelsea é o Boavista (que o Sporting derrotou na sexta-feira).

A história do jogo conta-se facilmente: o Sporting entrou tímido, o Chelsea entrou a matar. Esgaio, que se estreou na Liga dos Campeões devido ao castigo de Cédric, meteu os pés dele pelos pés de Felipe Luís, logo nos primeiros minutos, e o penálti de Fàbregas deixou a equipa de José Mourinho em vantagem.

Alguns minutos depois, com um William frouxo (deixou várias vezes a linha defensiva desamparada) e um Maurício desorientado (ver o central brasileiro, a dada altura, a abrir uma autoestrada em frente à área para correr atrás de um adversário que nem tinha bola dá arrepios a qualquer treinador de bancada que se preze), Schurrle aproveitou para fazer o 2-0. Tudo (demasiado) fácil.

Dom Marco  

Carrillo, um dos poucos a destacar-se pela positiva, viu-se desamparado entre um desinspirado Slimani e um inofensivo Capel (Montero e Mané começaram no banco), mas ainda conseguiu, já na segunda parte, criar a jogada que permitiu o 1-2, por Jonathan Silva.

A esperança dos adeptos do Sporting - que faziam ouvir-se muito bem em Stamford Bridge - durou pouco, não só porque Obi Mikel fez o 3-1 pouco depois, mas também porque o Schalke marcou na Eslovénia, o que significava que o Sporting estava fora da Liga dos Campeões. 

O discurso ambicioso de Marco Silva antes do jogo em Londres - bastava o empate, mas o treinador queria vencer - é louvável e é impossível não gostar dele (do discurso e de Marco Silva). Mas o jogo desta noite deixou claro que a Liga do Sporting não é a do Chelsea. Podia ter sido a Liga dos Campeões, sim, não fosse o empate desnecessário com o Maribor e o equívoco do árbitro no jogo com o Schalke, mas há dias em que a realidade se sobrepõe de forma dura às ilusões quixotescas. Bem-vindo à Liga Europa, Dom Marco.