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Lopetegui não é poeta. Mas é um fingidor

EPA/Estela Silva

A quatro dias do grande derbi, Lopetegui fez entrar a equipa B em campo frente ao Shakhtar. FC Porto empatou 1-1 mas o treinador jura que não pensou  no Benfica

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Com tudo tudo decidido na frente europeia, o técnico basco do FC Porto optou por poupar, hoje, a rapaziada da equipa A para o esperado jogo com o Benfica, domingo. A chance de passar para a liderança do campeonato está ao alcance de uma vitória no Dragão, mas Julen Lopetegui nem às paredes confessa que defrontou os ucranianos a pensar mais além.

O FC Porto já teve um poeta como timoneiro, Artur Jorge, o primeiro treinador a dar um título europeia aos dragões. Que se saiba não é o caso do basco, apesar de ser um valente fingidor. Diz sem hesitar que não gosta de fazer contas, nem de enfrentar um encontro a 98%, embora só três dos jogadores do jogo com a Académica tenham alinhado a titulares.

A estratégia foi certa para um jogo sem história. Na última jornada da fase de grupos da Champions, já com a equipa portista apurada para a fase seguinte da prova (tal como o Shaktar Dontesk) e com o primeiro lugar do grupo assegurado, no Dragão só não se jogou a feijões pois esta é uma prova de milhões. Hoje a roda da fortuna deu a ganhar meio milhão para cada lado, garantidos por Stepanenko e por Aboubakar, os marcadores do jogo.

Num estreia para recordar, Lopetegui acaba a fase de grupos da Liga dos Campeões como cabeça de série, após um percurso invicto e quase sem mácula - quatro vitórias, 16 golo marcados, dois empates, ambos frente à equipa do experiente Mircea Lucescu.

Um dia depois de um e outro se trem multiplicado em piropos mútuos - Lucescu garantiu que o FC Porto tem a melhor equipa dos últimos cinco anos, Lopetegui retribuiu afiançando que o Shakhtar é capaz de pintar a cara tem capacidade a qualquer equipa portuguesa -, o jogo acabou por ter um final feliz. Mesmo com um ou outro dissabor à mistura. Kelvin, o talismã do título portista de 2012/2013, não marcou aos 92 minutos, como se porfiava entre adeptos ferrenhos. E Rúben Neves, o bebé azul e branco de 17 anos, saiu lesionado de lágrimas nos olhos, num desafio em que voltou a ser a estrelinha no dealbar da época, após meses de eclipse. 

Domingo, diga o que diga Lopetegui, a equipa será certamente outra.  Para melhor.