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FC Porto. Eles são o que são, mas o Porto é uma nação

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José Coelho/Lusa

Sim, o Bayern de Munique é melhor. Sim, o Bayern de Munique é maior. E, sim, o Bayern de Munique é mais rápido. Mas mesmo com estes três argumentos, os alemães sofreram três golos do FC Porto. Lopetegui tem a equipa dele com um pé nas meias-finais da Champions.

A crónica começa com muitas repetições, porque a repetição elimina o erro:



Um tipo quando tem pela frente outro tipo que é melhor, maior e mais rápido do que ele tem de escolher: ou faz o que sabe, ou faz o que pode. Se fizer o que sabe arrisca-se a passar vergonha, porque o outro far-lhe-á mal por ser (já o disse) melhor, maior e mais rápido; e se fizer o que pode, não é vergonha nenhuma e ninguém o levará a mal porque (lá está) o outro é melhor, maior e mais rápido.



E é aqui que cai a teoria de que as equipas não devem mudar o que são só porque do lado de lá está uma espécie de papão. A questão não é o dever, mas a obrigação. E o Bayern de Munique de Guardiola (tal como o Barcelona de Guardiola) obriga os adversários a acomodarem-se à nova realidade - e há que aceitá-la. O FC Porto fê-lo, e fê-lo bem.



Tanto o Bayern como o FCP gostam de ter a bolinha no pé e de não entregá-la por-dá-cá-esta -palha, mas Lopetegui sabe que bater o Bayern é como encontrar uma agulha num palheiro. Não é impossível, é verdade, até porque o Bayern já perdera com o Manchester City na Champions - e o FC Porto tinha zero derrotas.



E essa é a beleza do jogo: às vezes, muito às vezes, os astros alinham-se e a coisa tem tudo para correr bem. É ler o sinais e o FC Porto leu-os: o Bayern tinha muitos lesionados (Schweinsteiger, Ribery, Robben, Martínez, etcetra e tal) e se não há insubstituíveis há pelo menos tipos que são difíceis de substituir; aos dois centrais que iam jogar, Dante e Boateng, faltavam pezinhos porque são, enfim, pezudos; e o árbitro era o espanhol Carlos Velasco Carballo, o mesmo que em 2011 apitou a final da Liga Europa que Villas-Boas conquistou.



Plano de jogo: defender bem; pôr os extremos (Quaresma e Brahimi) e o avançado (Jackson) a correr desalmadamente entre o meio-campo e o ataque a pressionar o alemão (ou brasileiro, ou espanhol, ou hispano-brasileiro) que tocava primeiro na bola.



Aconteceu assim:

Primeiro, Xabi Alonso embrulhou-se com Jackson, deixou-o ir e Neuer fez penálti sobre o colombiano que Quaresma marcou. Depois, Dante embrulhou-se com Quaresma que foi por ali fora e bateu Neuer pela segunda vez. Num bocadinho, o FC Porto pôs-se à frente do todo-poderoso Bayern de Munique - mas o pior não tinha passado.

É que o Bayern é da Alemanha e a Alemanha não é de tremeliques. Outra equipa teria ficado abananada, mas esta não. Nem pensar. Esta está cheia de campeões da europa e do mundo nas duas variantes - a de clubes e a de seleções - e até o guarda-redes suplente (Reina) ganhou a Liga dos Campeões com o Liverpool.



Por isso, os jogadores da Baviera continuaram a sorrir entre eles e o jogo foi-se recompondo, com aquele estilo tu cá, tu lá da rabia a que se convencionou chamar tiki-taka. O Bayern chegou ao 2-1, por Thiago Alcântara, e foi para o intervalo a pensar que na segunda-parte iria empatar porque sabia que era... melhor, maior e mais rápido.



E quando voltou do balneário, Müller riu-se para Lahm e Götze para Lewandovski, enquanto Quaresma soprou e Jackson suspirou.



A diferença entre o saber. E o poder.



Sucede que o FC Porto aguentou fisicamente a correria (Lopetegui lembrar-nos-á que foi a rotatividade que impôs que o safou agora) e continuou a apertar o Bayern à espera de um novo disparate. De Boateng, de Dante ou de Xabi Alonso. E acertou: Boateng falhou o salto e Jackson deu um pulo para as meias-finais: 3-1.