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Ewerton: o duplo V de vitória

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Ewerton festeja o golo que marcou frente ao Nacional

José Sena Goulão/Lusa

Foi um dois em um: o Sporting ganhou ao Nacional (1-0) e garantiu o lugar no Jamor para a final da Taça de Portugal.

Dizemos que Manuel Machado é um tipo estranho porque fala de um modo estranho. O homem elabora e alonga-se e encontra sempre sinónimos que parecem complicar as palavras que são simples.

Mas o que Machado diz não é o que ele é - esperto e prático, que na língua dele será qualquer coisa como arguto e empírico. Portanto, quando Machado olhou para o calendário e viu que jogaria de enfiada com o Benfica (num sábado e para a Liga) e com o Sporting (numa quarta-feira e para a Taça de Portugal), o professor pôs os grandes na balança e achou-os com pesos diferentes: uma derrota na Luz deixá-lo-ia no mesmo lugar; um triunfo em Alvalade pô-lo-ia no Jamor.

Foi por isso que o Nacional entrou na Luz com um meio-campo quente (o durão Ghazal) e frio (o artista Goma) e quando sofreu golos também não acelerou. Perder por perder, que perdesse na Luz - em Alvalade, o jogo seria outro.

E então Machado pôs Ghazal, Christian e Tiago Rodrigues em cima de João Mário, Adrien e William Carvalho, tentando isolar o primeiro dos outros dois, com algumas marcações individuais e apertões. E conseguiu-o, sobretudo na primeira parte, em que Marco Matias chutou à barra e em que o Nacional esteve melhor do que o Sporting.

Porquê? Porque os de Alvalade entraram moles [inertes, diria Machado] e o jogo resumiu-se a combinações à linha e um ou outro cruzamento lá para o meio, à espera que Slimani pusesse o pé ou a cabeça no sítio certo.

Não aconteceu uma coisa nem outra, mas o Sporting tinha a vantagem de trazer um empate a dois golos da Choupana e o conforto de só ter perdido em casa este ano com o Chelsea - o Chelsea de Hazard, Diego Costa, Matíc, Oscar, John Terry, Cahill, etecetera e tal.

Quer isto dizer que ao Sporting não cabia atacar mas aguardar - era o Nacional precisava de marcar. Foi o que a equipa de Marco Silva fez, às vezes contrariada ou por opção, e outras vezes ainda por falta de jeito [inépcia, diria Machado]. E se os rapazes da Madeira conseguiam ir à baliza, nela encontraram Patrício para desviar o curso da história.

Depois, a partir dos 60 minutos, o filme mudou um bocadinho por estas três razões: a substituição de João Mário por Carlos Mané, que espevitou o Sporting (minuto 61); a troca de Ghazal por Goma, que destapou o Nacional e o pôs a jeito (minuto 65); e o ácido lático que começou a circular nas pernas dos madeirenses aos 75 minutos, que são mais ou menos para os futebolistas aquilo que os 30 quilómetros são para os maratonistas - o muro.  

E quando encontramos um muro, das duas uma: ou pulamos ou vamos contra ele. E o Nacional bateu [esbarrou, empancou, colidiu ou chocou são palavras que também servem] de frente e foi ao chão e o Sporting fez o golo a cinco minutos do fim. Marcou Ewerton, que se escreve com duplo V [ou dáblio].